sábado, 25 de agosto de 2007

Na falta da Polar...

Foi por esses dias que conheci a “famosa” Xibeca, ou xexeca, para alguns ditos mais ítimos da cerveja. Sem Polar por aquí, eu só posso dizer que a cerveja é uma delícia. Um pouco amarguinha pro meu gosto, mas muito boa. Depois fui descobrir a San Miguel e a Estrella Dawn, essa bem comum por aquí. Na noite, em festas, é comum pedir “una estreia”.



Na praia da Barceloneta com a Xiiibeca!!


sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Brechó e chimarrão no inverno em Barcelona!!

Mesmo com minha mala quase estourando o limite do peso, acabei me dando conta que trouxe pouca roupa de inverno. Na verdade, até trouxe algumas blusinhas, mas roupas pesadas tive que sair a comprar. E onde? Em um brechó!! Eu, o Beto e a Paty, fomos garimpar em um brechó perto de casa. Acabei comprando blusóes e casacos super novinhos por €3,00 cada um. Fora que ainda se encontra muita peça de marcas conhecidissímas por um preço lááá embaixo! Uma maravilha!

Depois das comprinhas, pra esquentar, tomamos um chimas na praça Gaudí, em frente à Sagrada Família.



Beto, no chimarrão, Paty ao fundo




Mau atendimento: relaxe e acostume-se



Na manhã seguinte, momento para ir ao Super!!! Aquí todo mundo tem seu carrinho de compras. Jà saiem de casa com ele, estacionam dentro do mercado e põem uma moeda de 1 €uro, que è devolvida depois. Nas sacolinhas de plástico, aquí chamadas de "bolsas", se cobram 0,03 centavos.



Dia%, é o nome do Supermercado. Aquí tudo è mais barato. A maioria dos produtos è da própria marca Dia e a qualidade è boa tambèm. Andando pelos corredores do Mercado eu ia olhando as embalagens dos produtos e já ia tentando me adaptar ao castellano: "zumo de frutas, pollo, aceite, maíz, leche, zanahorias e tudo mais...
Descobri a Coca genérica deles, que custa 0,49 centavos. É muito parecida com a Coca Cola normal, mas pela metade o preço! entáo passamos a comprar só essa.


Fachada do mercado, em cataláo

Bem, náo espere um ótimo atendimento por aquí. As meninas do caixa mal te olham. Obrigado é algo raro neste estabelecimento. Mas tudo bem, o preço è bom e eu náo tinha muito assunto mesmo, jà que estava arranhando meu castellano, me limitando a falar apenas: "hola", "buenos dias" e "gracias".


terça-feira, 21 de agosto de 2007

Caña e Bocadillo na primeira noite em Barcelona


Nós dois felizes no reencontro em Barcelona

Na primeira noite, eu e o Beto saimos para comer alguma coisa: caña e bocadilho era o cardápio. A tal da caña, nada mais é do que um copo de cerveja e o bocadillo, o sanduíche mais popular por aquí. Mais cultural que isso, só a famosa paella. Quando fui pagar, a surpresa: € 9,00. O quê???? 27,00 reais por um copo de cerveja e dois sanduíches de baguete???

Mais uma vez, a minha santa ingenuidade de achar que continuava no Brasil. Era hora de esquecer as notas de onça pintada, papagaios, periquitos, canarinhos e a casa da moeda do Brasil, agora tudo por aquí só em €uro.

Falando nas moedas, elas sáo muito bem vindas por aquí, têm de 0,1 ; 0,2 ; 0,5; 0,10 ; 0,20 ; 0,50; centimos e 1,0 e 2,0 €uros. Todos utilizam muito e aquí náo tem esse papo de dar balinhas de troco. Cada centavinho è valorizado.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Aos meus olhos: a Sagrada Família



Descemos na Estaçáo Sagrada Família. Não sabia de nada enquanto subia pela escadas em direçáo à rua, quando o Beto me diz: “Amor, olha para tras”. Náo vou esquecer nunca! A Sagrada Família tava me dando as boas vindas. Linda, ela estava ali diante dos meu olhos e seria minha alegria ao sair e voltar para casa, durante algum tempo.






Aquela Sagrada Família que eu tanto escutava falar nas aulas de História da Arte no segundo grau, graças ao meu querido professor “Fon Fon”, ia ser minha vizinha. Da Sagrada Família o que mais me encantou foram “os fundos” da igreja. Me passou a impressáo de ser como um daqueles castelinhos que a gente construía na beira da praia...Aqueles que váo se desmoranando conforme a areia molhada vai caindo. È incrível, parece que a Igreja está se desmoronando e cada vez que você parar para observá-la, vai encontrar um detalhezinho diferente!!











quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Sol e frio em Barcelona

Cheguei em Barcelona em um dia lindíssimo de sol, mas no pico do inverno. Conhecendo a cidade pelo alto já me encantei. Lembrava do que tinha visto no Google Earth e tentava identificar os pontos mais conhecidos. A Torre Agbar se destacava com sua cor azul e seu formato que parece um grande supositório. Depois vinha a Sagrada Familia com suas grandes torres, e ao lado o bairro L`Eixample, com suas esquinas arquitetonicamente construidas, o que nos dá a impressáo de ser um grande labirinto organizado. Ali estava o bairro onde iria morar. Por fim ou inicio de tudo, reencontro com meu amor: abraços, beijos, mais abraços e mais beijos e uma grande saudade para matar, depois de três meses longe um do outro...



Minha nova cidade vista do alto...


Ali pegamos um ônibus, o Aerobus. Recebi o primeiro sorriso em terras espanholas: o da motorista do ônibus, que a partir de agora vai se chamar autobus para mim. A mala, deixamos um pouquinho longe, e eu já estava preocupada que alguèm poderia levá-la. Calma Luciana, agora se pode viver com um pouco mais de segurança e tranquilidade.

No caminho para nova casa, eu já estava quase com torcicolo de tanto olhar pros lados de tanta informaçáo. Náo sabia se dava atençáo pro meu Beto ou se conhecia o mundo novo. O Dé, amigo nosso que foi junto me buscar, apontava de um lado, “tá vendo aquela igreja là no alto do morro? Eu tava là ontem, ele disse.” Ele falava de um dos pontos mais enigmáticos para mim até hoje na cidade, mas isso é assunto pra depois. (1)


O grande supositório na foto, é a Torre Agbar. "De perto, nem as torres são normais"

Eu achava estranho ver grandes guindastes sobre os prédios em construçáo. O Beto me dizia: Lu, a cidade tá sempre em contruçáo, tu vai ver só, náo param nunca com as obras. Mais tarde eu iria saber que as obras que eu tanto detestavam no Brasil, me perseguiriam aquí também. (tambèm assunto para depois. (2)

Descemos em Passeig de Gracia. Ali, o centro da cidade, via lojas e mais lojas e muita, mas muita gente. Cheguei em uma época das grandes liquidaçóes de inverno, que aquí se chamam rebajas ou rebaixes, em cataláo. Pegamos o metro, aquí se diz "métro" e náo metrô. Como eu estava acostumada com o trensurb todos os dias, náo senti diferença em falar metro, como os paulistas por aquí sentem quando chegam.

No metro, mais gente e eu já perguntando sobre os atentados nos trens, lembrei do atentato em Madrid em um trem há alguns anos. Mas logo me explicaram que aquí em Barcelona "no pasa nada", ou seja, que é tudo mais tranquilo. Tá bom, então...


PS: As fotos não são minhas, é de um brazuca que mora aqui, o Tuí, de Santa Catarina. Bem que eu queria ter tirado fotos quando cheguei, mas confesso que estava tão emocionada que até me esquecí da máquina na bolsa, mas as foto são transmitem exatamente a visáo que eu tive da cidade olhando da janelinha do aviáo, em um dia lindo de sol.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Imigração? onde?

Na manhá, a preocupaçáo para enfrentar a imigraçáo. Sabia que teria que parar em Madrid para mostrar documentos, mas no sistema de som avisaram que a imigração seria em Barcelona. Jà fiquei preocupada pq minha mala estaria em BCN, com remèdios, biquinis e roupas de veráo. Eu jà tava em pânico em pensar que poderiam abrir minha mala e eu ter que explicar o que estaria fazendo com biquinis em pleno inverno europeu.

Antes de pousar, lembrei que meu namorado tinha pedido para eu náo me assutar com as obras no estacionamento do aeroporto e que estava um pouco destruido. Na verdade, acho que nem ia prestar atençáo se ele náo me falasse nada. Mas o que era verdade mesmo, è que o aeroporto tinha sofrido um atentado do ETA umas duas semanas antes de eu chegar, e acho que se ele me conta isso, eu nem saio do Brasil.

Na descida no Barajas, Madrid, fui caminhando, seguindo os passageiros que desembaracam do voo. Até que encontrei várias cabines com senhores uniformizados. Pediram documentos, perguntaram o que estava fazendo e a quantia que tinha em dinheiro. Respondi tudo com tranquilidade pensando ser um procedimento de rotina. Quando o moço colocou o carimbo, abri um sorriso completamente sem graça: Que tonta, aquí è a imigraçao de fato!!

Depois de passar por cachorros cheirando bolsas, fui para a checagem das malas de máo, ali um menino de Brasília que conheci no aviáo me disse: Chegamos à Europa mesmo. Náo entendi o que ele quis dizer, e passei a sentir um cheiro muito ruim de desodorante vencido. Fui ver se era meu, afinal depois de 13 horas de viagem, náo seria nada anormal. Uffa, por minha sorte náo era meu. Aí me dei conta do que o brasiliense queria dizer. Realmente, desodorante por aquí náo deve estar listinha e compras dos espanhóis.

Depois de cachorros e desodorantes vencidos tive ainda o contrangimento de passar pela porta eletronica só de meias, pq usava botas que poderiam comportar drogas (é o que eles dizem). Menos mal, a menina que estava na minha frente depois de ter tirado bota, casaco, blusa, jà estava tirando o cinto por que náo parava de apitar o alarme quando passava na porta.
Saí do pavor da vigilância e peguei um trem dentro do próprio aeroporto(fantàstico!) para chegar ao outro lado do aeroporto e por fim embarcar em um voo para Barcelona, meu destino!

Viagem sem dormir? Para quem vai na primeira classe é impossivel


Por sorte, destino, forças divinas ou da minha agente de viagem, fui parar na primeira classe, ou classe executiva, como alguns chamam. Quando ví vários sofazinhos estofados com televisores para cada passageiro, pensei em tudo que tinha escutado sobre viagens longas: cansaço, dor nas pernas, viagem sem dormir, comida ruim, pouco espaço...Dei risada e resolvi aproveitar tudo o que tinha direito, mesmo sem ter pago por isso hehe.
No meu lado, um senhor simpatississimo, que parecia o José Saramago, me ajudava a ligar a televisáo ou com a bandeja, já que devia estar acostumado a viajar por essas bandas do aviáo. Minha viagem, a mais tranqüila possível. Bebi cava, água, suco e comí peixe, massa, uma salada deliciosa e um super sorvete com calda, na sobremesa. Para dormir, deitei o sofá que virou literalmente uma cama e dormi a viagem inteira tranquila...

Minha brasília ficou ali no estacionamento





Em Guarulhos, São Paulo, tempo de espera para conexão. Me surpreendi com um painel gigante do Romero Britto. Gosto muito das obras dele, com muitas cores e esse é realmente lindíssimo. Na espera, dei uma volta pelo aeroporto, e vi que todas - eu disse TODAS - as televisões passavam futebol, o campeonato paulista. Desistí de ver a pelada dos paulistas e fui comer alguma coisa. Minha fome quase vai embora com o preço do mini pastel folhado que valia R$ 4,50!!! Ai, ai, saudade do risoles que minha vó faz.

Na fila do check-in, fui parada por um agente da Polícia Federal. O último órgão que pensei que responderia perguntas sobre minha viagem, seria para a polícia do Brasil.
Pois bem, mostra passaporte, olha a foto, mostra reserva de albergue, dá explicaçáo...Depois de tudo isso, o moço ainda me pergunta como eu tinha ido de Porto Alegre até São Paulo.

“Ah sim, eu vim com a minha brasília amarela que està ali no estacionamento, vou ali na Espanha e já volto", isso foi o que me deu vontade de responder pro tal do “agente”. Mas sorri, mostrei a passagem da Gol e pensei que o rapaz devia tá mostrando “serviço” pro chefe. Depois de espera até a conexáo, às 21h30 (pontualmente) embarquei num voo da Ibéria, destino à Espanha.


De Porto Alegre à cidade de Gaudí

Na noite anterior ao vôo eu dormi muito pouco, pensava na loucura de estar do outro lado do oceano no outro dia. Acho que o trajeto até o aeroporto foi o mais longo que eu já fiz, passava pelas ruas que por muitos anos caminhei, imaginando que agora elas apenas ficariam na minha memória por um tempo. A linha de ônibus que pegava todo dia para ir trabalhar passou por mim, e nesse momento pensei que neste dia o vale transporte nas minhas mãos seria outro: meu bilhete aéreo, junto ao meu passaporte.


Despedidas e mais despedidas no aeroporto, passei para a sala de embarque com a certeza de que estava fazendo tudo certo, tudo com muita calma e humildade. Mesmo sabendo que iria encarar um mundo novo e sem muita certeza do que iria encontrar.














Família e amigos no Aeroporto. Tá faltando o grande colega e amigo Ricardo, o Rico, que me deu o último abraço já na esteira da bagagem de mão. Um abraço cheio de energias boas, de verdade.

Jà no aviáo, levantei a cabeça e dei tchau para o “Porto Alegre”. A minha amada e querida capital tambèm sentiria saudades de mim, mas tambèm sabe que meu refúgio vai ser sempre ali, no Gasometro, no Brique, nos domingos de sol e nas noites frias do nosso inverno.

¿Barcelona? Catalunya? Espanha?

Quando pensava que iria para a Espanha as primeiras coisas que vinham na minha cabeça eram: touradas (Oléééé!), Dom Quixote e Sancho Pança, Pedro Almodóvar, ETA, Flamenco, mulheres com peitos avantajados e os homens com a cara do Antonio Banderas e verdadeiros amantes latinos. Só depois de um tempo que me dei conta que náo estava apenas indo morar na Espanha, mais além disso, estava indo para capital da Catalunya. E o que isso significava? Bem, eu estaria morando em, teoricamente, outra República dentro da Espanha.

Aí entra a minha memória novamente para lembrar o que eu jà tinha escutado falar sobre Barcelona. Pensando na cidade, o que vinha na minha cabeça: Barcelona, o time de futebol mais conhecido como Barça, as pontudas torres da Sagrada Família, os meninos do volei ganhando o ouro nas Olimpiadas e um certo idioma um pouco desconhecido, o tal do cataláo. Os temas náo vinham necessariamente nesta ordem e eu tentava mais alguma coisa, mas pouco surgia.

Assim que, em janeiro deste ano embarquei em um vôo com destino à capital da Catalunya. Os dias de festa e comemoraçáo que marcaram minha despedida, semanas antes de embarcar, deram lugar a um dia totalmente introspectivo e decisivo na minha vida: fazer uma viagem sozinha e desfrutar da experiência de morar durante um ano em outro país.

foto: http://www.agenteseveporai.com.br/

Lá vou eu...

Sempre sonhei em fazer uma viagem. Pôr a mochila nas costas e se aventurar por aí. Conheço muito pouco do Brasil, na verdade só passei um pouquinho além do Mampituba, mas nos meus sonhos meus vôos sempre foram mais distantes.

Meus planos iniciais eram de conhecer Londres. A cidade sempre me chamou atenção: beber cerveja em um pub, andar em um ônibus de dois andares, ver a troca da guarda, dirigir do lado direito, estar na terra da rainha, aprender o inglês britânico (charmosissímo) e, é claro, estar no país dos quatro meninos de Liverpool e ainda, quem sabe, ter a sorte de encontrar o Hugh Grant por alí.

Mas, Marisa Monte jà estava certa quando cantava: o que a gente náo faz por amor? E foi assim que pelo coraçáo, mudei meus planos. Troquei a rota do meu vôo e em menos de três meses passei a preparar minhas malas para outro destino: Barcelona, na Espanha.

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