quinta-feira, 19 de junho de 2008

E os gaúchos te podem curtir numa boa...

Tá bom, já chega!!! Acabou a brincadeira, o marasmo, a preguiça, o cansaço e a falta de não ter o que escrever...Eu volto pra este quadradro branco no mundo do html, depois de um tempo de total hibernação intelectual!

Voltei porque simplesmente só falar já estava me cansando e me levando a lugar nenhum, e eu já não ando com tanta paciência assim pra ouvir muito papo furado também.



Depois de Barcelona, eu voltei pra Porto Alegre. Chegou o momento tão esperado: VOLTAR! No inicio tudo é ótimo, até do guaraná Fruki eu sentia saudade...ahh sentia...


Sentia saudade do Gasômetro, do Mercado, do Guaíba, do Dilúvio, do trem lotado, do flanelinha na porta do bar, dos camelôs, da interminável obra da Baltazar, da Brigada Militar... Exageros à parte, eu sentia sim, muita saudade de um bocado de coisa, mas agora quatro meses depois de voltar pra Província dos Gaúchos, eu já sentia a grande saudade de Barcelona e a vontade de embarcar no primeiro avião de volta pra lá. Já andava com saudade da correria da Rambla, da dura areia da Barceloneta, do caos do Raval e até dos locutórios em cada esquina. Porto Alegre é legal, mas já tava me sentindo meio parada por aqui...


Até que fui pra São Paulo neste final de semana. Dizem que das coisas ruins, sempre se deve aproveitar algo de bom, pois então, de todas as coisas muito chatas que aconteceram em função da minha viagem à capital da América Latina, vou tirar as coisas boas...



A tal máquina de moer gente

Das 56748493 pessoas com quem eu conversei sobre a cidade, 56748493 delas me disseram a mesma coisa: não gosto São Paulo; essa cidade é individualista, destesto esta poluição, o trânsito é caótico.

Bem, nada que eu já não tinha escutado sobre SP, mas o que mais me chamou a atenção é que simplesmente três pessoas usaram, em momentos diferentes, a mesma expressão para definir a cidade: Isso aqui é uma máquina de moer gente!! Juro que na primeira vez que ouvi isso, levei um susto. Putz será que é tão ruim assim?

Como eu praticamente nem gosto de discordar das pessoas e ir na direção contrária do vento, resolvi tirar minhas próprias conclusões e na real, eu me identifiquei totalmente com a cidade, mesmo tendo andado muito pouco, pouquissimo, por lá. Mas o que eu vi já me bastou pra aplicar uma injeção de animação e energia nos meus dias!

Andar de metrô novamente, foi para matar a saudade! Fazer conexão entre as estações, então, nem se fala! Andar na linha azul, na linha vermelha, na linha verde...ahhhhhhhhh a linha verde.....lá tô eu lembrando Barcelona denovo.

Mas na real era isso, era impossivel não comparar Barcelona com São Paulo. Toda loucura e o
entra e sai nos vagões, a mistura incrível de influências: onde um descendente de oriental, senta ao lado de um imigrante nordestino, que senta ao lado da loira gaúcha que tenta ser modelo na capital, que por sua vez senta ao lado da estudante universitária, que senta ao lado do corintiano fanático e por aí vai....

Impossivel não se sentir vivo por aqui, até porque se não tiver muito bem vivo, dançou! O ritmo frenético te obriga a entrar na dança, no corre-corre, na luta contra a máquina, na tal da máquina de moer gente...

Do pouco que ví, eu já gostei muito! Já incluí na minha lista das cidades para morar, nem que seja por uns dias, quem sabe, uns meses. Não custa tentar.

Nem precisei cruzar a Avenida Ipiranga, muito menos a São João, pra alguma coisa acontecer! É muito fácil gostar da praia, do Morro, da água de coco, da areia branca e fina, do sol de 40 graus, do lêlêlê e das cores do carnaval.... tá tudo ali, indiscutivelmente lindo e belo... Dificil mesmo é gostar do cinza, do feio, do sujo, do oposto...

A cidade até pode ser individualista, egocêntrica, fechada, mas sempre terá alguém disposto a encarar o caos, a loucura, a garoa, os amores brutos, os beijos sem paixão, a feia fumaça, os esconderijos dos prédios, as galerias, as pixações incompreensíveis....

É neste clima tenso, nessa loucura toda que são testados os limites do ser humano: passar por eles, deve ser uma etapa para fugir da lâmina que nos transforma em um grande guisado...

Incrivel, mas foi nesta loucura, nesta tensão, neste clima hostil, no caos, que fui encontrar um caminho para o que me perturbava..
Quatro dias em São Paulo me ensinaram mais do que eu poderia imaginar: me deixaram mais fria do que eu imaginava ser, mais realista, menos ingênua e mais preparada para os desequilibrios e os tombos no caminho...

E é aí que eu acho que tá a moral da nossa vida, que é dura, dificil, perturbada. São nos momentos dificeis que nos damos conta de que o mundo não é tão colorido como pensamos....Esse é o mundo cruel que não perdoa e elimina os fracos...

Por isso, tiro coisas boas de São Paulo. A cidade é a realidade que não queremos ver, que escondemos, que tapamos os olhos, que viramos de lado para não encarar...

Era esse mundo real que eu precisava ver denovo, confesso que me fez muito bem, mesmo sabendo que é o avesso, do avesso, do avesso, do avesso...

Prometo passar mais por aqui! Enquanto isso, umas fotinhos da curta passagem por SP!


Parque da Juventude, onde era o Carandiru.
Agora é um espaço pra gurizada


Estação Carandiru


Manifestação do Nação Hip Hop em homenagem aos mortos na
Chacina do Carandiru



Rá tá tá tá ....mais um metrô vai passar!


Estação Luz...Linda


Carandiru, prédio 4 reformado. Clima muito pesado aqui dentro


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