quinta-feira, 31 de julho de 2008

Uma lagartixa tem lá o seu valor. . .

Tá tudo bem, podem cornetear à vontade, gremistas e colorados, mas já que um blog supostamente serve para deixar registrado o que sentimos, refletimos, analisamos ou pra escrever baboseiras em geral, eu deixo bem claro aqui que ando com muita dor de cotovelo da torcida colorada, especialmente da torcida feminina.

Mas não posso deixar de escrever que o Inter fez uma graaaaande aquisição. Desculpem amigos, mas eu sou sincera!

Tô falando do filé do D'Alessandro. Já tinha visto ele em alguns jogos lá na Espanha, mas não tinha percebido os "detalhes".

A descrição do cara na chegada a Porto Alegre, na ZH de hoje é algo: "D'Alessandro vestia boné branco, que escondia o cabelo moicano levemente descolorido, jaqueta de vinil, jeans e sapatos brancos. Nos dedos, anéis de prata. Na mão direita, uma tatuagem de lagartixa - são mais quatro tatuagens no corpo."

Para um jornalista do esporte, até que o Leandro Behs foi bem perceptivo na descrição dos detalhes. Me fez lembrar o David Coimbra falando sobre a suavidade do dedão do pé de suas musas.

O jornalista fez até com que eu ficasse imaginado onde estão espalhadas as outras três tatuagens do Alê e seus respectivos bixanos. Um chocolate pra quem descobrir!

Bem, mas continua a ZH: "Ainda no aeroporto, ele olhou para a torcida colorada que o recepcionava e largou: Isso é tudo pra mim?

Tá, imagino, que ele tenha dito mais ou menos assim. Che, boludo, todo eso es para mí?"

Sim, Alê, mal sabe tu que a torcida colorada sempre se negou a pagar pau pra um argentino. Tu vês.

Já que o Roger foi embora e eu me nego a suspirar pelo Mekelele, Rudinei, Maylson, Anderson Pico e Rever, me resta encontrar outro bom motivo pra ver os jogos do Inter, além de me divertir com a sequência de derrotas: o Alê e sua significante lagartixa.


Se bem que o azulzinho cai melhor nele.



segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ser tão Ocidental no Oriente

Incrível como acontecimentos assim tão grandes como uma Copa do Mundo ou Olímpíada, que envolvem países de todos os cantos do mundo, que unificam, mesmo que apenas no esporte, nações marcadas por conflitos, podem deixar que coisas aparentemente tão insignificantes aconteçam.

Falo, por exemplo, de uma matéria que acabei de ver no Jornal Nacional sobre as próximas Olímpiadas. Tá bem que o JN não é lá grande parâmetro para matérias muito profundas, mas vou me ater a uma especialmente, que acabei de ouvir e ver com meus próprios olhos!

Em Pequim, sede das Olimpíadas na China, os moradores estão deparando-se com cartazes, chamados de "cartilhas" pela matéria no Jornal Nacional, espalhados pela cidade. Neles - nada mais, nada menos - que um código de conduta para receber os humanos do lado ocidental do globo terrestre.


Basicamente é isso: os chineses estão sendo treinados para não fazer perguntas que se tornariam inconvenientes aos vizinhos politicamente corretos do lado ocidental. Ou seja, aquele tipo de pergunta, criteriosamente avaliada, sabe se lá por quem, que causaria certo desconforto aos do lado de cá: o famoso sorriso amarelo.

Prestei atenção em algumas, talvez as poucas que o jornal mostrou. Do tipo: não pergunte aos ocidentais sobre sua saúde, orientacão política ou religião. Especialmente às mulheres, que aparentam mais de 30 anos, jamais pergunte sua idade. Nem pense em perguntar quanto eles recebem de salário, ou ainda, nunca, em hipótese alguma, pergunte sobre questões amorosas e muito menos a vida sexual dos puritanos ocidentais!


Até que aparece uma chinesa, que para mim, resume tudo o que eu pensei logo quando comecei a ver a matéria e diz:

"Mas se a gente não sabe isso, como vamos ficar amigo íntimo de alguém"

Bingo! É exatamente isso. O resumo do grande contraste entre ocidentais e orientais, especialmente os chineses.

Mesmo no país anfitrião das Olimpiadas, o mundo ocidental impõe seus costumes. É a maneira de ditar as "nossas regras", diante do país mais populoso do mundo.

Para quem está acostumado a compartilhar tudo, desde o telefone, passando pela comida e até conversas mais íntimas, restringir esse tipo de pergunta é, no minimo, criar uma barreira maior ainda entre estes mundos tão diferentes e com suas caracteristicas peculiares. É praticamente um modo de individualizar, aos poucos, os chineses.

É chegar lá e dizer: nós não gostamos desse tipo de perguntas. É pautar o modo de viver deles. Mudar seus costumes, impondo nossos costumes ocidentais, como se fossem os mais corretos.
E mais ainda, reforça a idéia do quanto somos individualistas, o quanto nos perturbamos com a nossa privacidade, com a nossa intimidade e com o que os outros pensam sobre o que gostamos ou deixamos de gostar.


Para o simplista Jornal Nacional, a mudanca de hábitos dos chineses pode criar uma contra-revolução cultural na população, já que pode alterar os costumes que sempre estiveram ligados aos interesses comuns da sociedade, antes dos interesses individuais dos cidadãos.

Para mim, revela que o mundo ocidental é cada vez mais hipócrita, capaz de ditar regras que julgam importantes aos nossos valores, à nossa moral e à nossa vida extremanete individualista.

Alguns chamam isso de globalizacão, eu prefiro chamar de falta de inteligência para aprender com uma cultura alheia.

É o mundo ocidental errando e nunca aprendendo. Na oportunidade de trocar experiências com costumes distintos, vamos lá e arbitrariamente impomos os nossos. E ainda tem alguns que insistem em falar mal do rigor da ditadura na China.


domingo, 27 de julho de 2008

Pro dia que chover . . .

Retrato do Domingo: chuva . cama . meia . mesa . café . tv . chuva . chuva . cama . edredom . cama . cama . chinelo . mesa . almoco . tv . chuva . internet . cama . edredom . cama . cama . chuva . mesa . café . pão . tv . chuva . internet . chuva . blog . chuva . cama . edredom . cama . chuva . chuva . mesa . janta . cama . chuva . sono . chuva .


cansei . . .

quarta-feira, 23 de julho de 2008

E já não são poucos . . .

Porto Alegre . Bairro Cidade Baixa . Rua Lima e Silva

Noite de terça-feira . 19h30 da noite . estaciono o carro e caminho em direção ao bar mais próximo para encontrar um amigo

Homem . negro . jovem se aproxima . Assim . cambaleando ele vem . tropençando . quase caindo . Me afasto . se aproxima novamente . pouca roupa para espantar o pouco de frio que faz . tênis com as pontas rasgadas . os dedos de fora . mão na boca . boca aberta . cabelo ensebado . olhos arregalados . não olha nos meus olhos . não olha para a rua . não olha para os carros . já não olha para mais nada .

mesmo que possa adivinhar minha resposta ele vem . vem . e sem hesitar me pegunta:

- tia, tem 10 real pra eu comprá um crack

No auge dos seus 20 e poucos anos dessa curta vida, esta criatura vê em qualquer coisa que se mova a chance para alimentar seu vício .

E eu ali . paralisada . esperando que ele fosse pedir dinheiro . quem sabe um cigarro . falar uma besteira . só consigo dizer:

- não . não tenho.

terça-feira, 22 de julho de 2008

101 utilidades . . .

Notícia do dia: Dercy Gonçalves será enterrada em pé
Da AE

O caixão com o corpo da atriz Dercy Gonçalves será colocado na sepultura na posição vertical, seguindo um pedido dela própria. Ela dizia que não queria retornar à cidade, da qual fugira ainda menina, deitada.


Eu morro e não vejo tudo!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Mas vai ter sorte assim . . .

Um negócio muito louco me chamou a atenção na tarde desta segunda-feira: a notícia de que o Ronaldinho Gaúcho vai vestir a camiseta de número 80 no Milan. Logo que lí, achei que se tratava de um erro de digitação, que ele poderia vestir a 8, já que na notícia o número 8 aparecia maior que o zero, mais ou menos assim: 8o

Mais aí, logo abaixo da manchete aparecia o texto: "Jogador nasceu em 1980". Ah, logo entendí que o número tão elevado na camiseta tinha a ver com o ano de nascimento do jogador, 1980.

Mas o que me chamou mais a atenção não foi o número da camiseta ser a 80, mas sim, pelo simples fato desse cara aí ter apenas quatro anos de vida a mais do que que eu!

Que loucura! O cara de apenas 28 anos já ter sido ídolo (há controvérsias) do Grêmio, ter dado um chapéu no Dunga, ganhar uma montanha de dinheiro em patrocínio, ser eleito o melhor do mundo duas vezes, ser dono de um patrimônio incalculável, ter uma instituição para crianças carentes, ter morado na França, Espanha e, agora na Itália, ter um salário milionário, etc, etc , etc. . . Perto disso tudo, até a derrota pro Inter é um mero detalhe.

O cara só no ano passado faturou mais de US$ 26 milhões de dólares (cerca de R$ 59,3 milhões). Em 2005, mais de 12 milhões de pessoas acessaram a internet apenas para assistir um anúncio da Nike em que ele aparecia jogando bola, quando ainda era um guri ranhento da zona sul.

Antes de ser contratado pelo Milan, já tinha surgido um boato de que o Silvio Berlusconi teria separado 100 milhões de euros, só para tentar entrar na disputa pelo passe do Gaúcho. E levou . . .

No Barcelona, ele foi um dos grandes responsáveis por colocar o time novamente na galeria dos grandes clubes mundiais. Quando chegou no Barça, em 2003, o clube não conquistava o título espanhol desde 1998. Cinco anos na equipe azul graná foram suficientes pro Barcelona conquistar o Campeonato Espanhol (2004/2005 e 2005/2006), duas vezes a Supercopa da Espanha (2006 e 2007) e levou o time de novo ao título da Liga dos Campeões (2005/2006), que só havia vencido antes em 1991/1992.

Além de ser eleito duas vezes o melhor jogador do mundo, em 2005 e 2006.

E tudo isso com 28 anos! Fico me perguntando o que eu posso fazer pra daqui a quatro anos ter só um tantinho dessa sorte e um pouquinho dessa grana do Ronaldinho.

Bom, algumas semelhanças com o Gaúcho eu já encontrei: nascí no Rio Grande, sou gremista desde criancinha e também já morei em Barcelona.

Espero que isso seja um bom sinal de que tô indo pelo caminho certo . . .

domingo, 20 de julho de 2008

Quem precisa da polícia?


Foto: Luciana Borba

Eu não quero mais ver policiais nas ruas. Sério! Eu troco de calçada se vejo um brigadiano. Se vejo dois, então eu saio correndo. Não quero parar em uma blitz e ter meu carro "confundido" com um carro suspeito. Pra um ladrão eu sei que não posso reagir, mas para a polícia, não saberia o que fazer. Não quero correr o risco de ser alvejada por 5 tiros por policiais. Não quero perder irmãos, primos de 3, 9, 15 anos . . .

Eu não quero mais policiais nas ruas. Não quero mais ver brigadianos. Não quero mais ouvir Secretários de Segurança na televisão, quero que eliminem esse cargo.

Não quero ver policiais batendo em manifestantes, em mulheres, empurrando crianças, dando soco, quebrando nariz, matando gente asfixiada. Não quero mais vê-los montados sobre cavalos, segurando cães ferozes, andando de viatura, fazendo cara feia. Não quero mais vê-los com colete à prova de balas.

Quero que andem sem armas, sem fardas, sem cacetete, sem camburão, sem coletes, sem capacetes, sem moto, sem motores, sem espadas, sem sirenes, sem os pesados coturnos, sem a barreira dos escudos. Quero que vistam camisetas, bermudas e calcem havaianas com as tiras fixadas por um prego, quero que tenham as mãos livres, sem ter em que se apoiar, quero que andem sem nada - sozinhos - e não em bandos.

Não quero mais gás de pimenta, gás de efeito moral, não quero mais balas de borracha.

Quero ver assim, a arrogância da polícia indo por água a baixo, Quero que abaixem a cabeça e só respondam quando questionados.

Para a polícia não quero nada. Quero que se sintam COMPLETAMENTE desprotegidos . . .
Eu tenho medo da polícia. Quero vê-los bem longe de mim. . .

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Parlar català

Passei exatamente um ano e um dia em Barcelona, capital da Catalunya e, pelos meus precisos cálculos, passei igualmente um ano e um dia reclamando do catalão, a língua que eles falam por lá.

Sempre fiz cara feia pro "bona nit", achava "buenas noches" muito mais interessante. Sempre achei os catalães muito mal educados, que quando querem que alguém não entenda mesmo o que falam entre eles, mudam do castellano pro catalão na cara dura..

Achei uma estupidez, quando ví um catalão "ortodoxo" se levantar da cadeira e ir embora do restaurante que eu trabalhava, quando viu que o cardápio não tinha catalão, era só castellano e inglês. Como se esse cara não fosse um catalão nascido dentro da Espanha, que sabia desde criancinha a ler, ouvir, falar, sonhar, raciocinar e pensar em espanhol também.

Sempre disse que achava feio, chiado e incompleto, já que parece que eles cortam a maioria das palavras. Além do que, não dava muita importância. Via como um bairrismo exagerado o fato deles defenderem tanto o catalão. Não tinha o interesse em aprendê-lo, porque achava rídiculo pensar na idéia de um dia falar "xexenta i xis". Mais ou menos como se fala sessenta e seis.

E agora eu me vejo aqui, do outro lado do Oceano lembrando das coisas boas de Barcelona: as ruas do Gótico, os bares do Born, as cervejas dos amigos paquistantes, a moderna tranvia, meu salário em Euro, os amigos que ali ficaram, a Plaza Catalunya, minha casa pertissímo da praia . . .

Tudo isso que seria óbvio eu sentir saudade, mas tem algo mais que me surpreende nessa saudade toda. É a saudade de ouvir o catalão (!)

Engraçado sentir falta de alguma coisa que eu abominei durante o ano que passei lá, mas é incrível como o fato de lembrar do catalão, me remete a este ano. Lembrar do catalão, me faz recordar minha chefe falando ao telefone com as sobrinhas, já que com as crianças as famílias só falam em catalão, me faz lembrar das atendentes das bibliotecas, sempre dispostas a encontrar um livro, as atendentes da Bershka nunca dispostas a te ajudar com uma peça de roupa, os motoristas de ônibus, os gatíssimos guardas dos Mossos de Esquadra. Pra quem acha o Capitão Nascimento um gato é porque não viu o "nível" da polícia catalã. Guapíssimos!!

Resumindo, lembrar do catalão é lembrar das coisinhas do cotidiano vividas em Barcelona. É voltar no tempo e lembrar dos detalhes, do que poucos se dão conta...
Rídicula mesmo era a minha idéia sobre o catalão. Mas ainda bem que as coisas mudam, a gente pára, pensa e evolui. E agora aqui, na terra do gauchês, eu recordo da língua e penso que ele não é tão feio assim, e nem tão dificil de entender e aprender.

Já que minha idéia é voltar pra lá definitivamente, é mesmo óbvio que eu aprenda a parlar o catalão, já que eles valorizam muito e abre muitas portas...

Pra matar a saudade, achei no Youtube uma série de entrevistas com imigrantes que se esforçaram para aprender o idioma. Entre eles, um marroquino, um de Gambia e uma espanhola de Pamplona.

É engraçado ver o cara de Gambia contando como as pessoas ficam surpresas quando ele diz que sabe falar catalão. "Ostiaaaa, parla català?" Legal também de ver a pronúncia do Marroquino, que de verdade é muito boa. Bom, pra quem quer entender algo ou tiver curiosidade de conhecer o catalão, sejam bem vindos ou então, Benvinguts!







quinta-feira, 17 de julho de 2008

Simples assim. . .

Muita gente já sabe que eu passo longe de ser considerada uma mulher sensível, frágil e meiga. Por mais que muitos insistam nessas descrições, esse chapéu não me serve.

Mesmo assim, mesmo sendo muito fria para algumas coisas existentes neste mundo real por aí, eu tenho que admitir que certas coisas fazem meus olhos lacrimejarem, sim! Algumas coisas fazem eu engolir a saliva e contar até dez pra não deixar uma lágrima cair, ou desistir de vez da matemática e deixar o sentimento vir à tona e desabar num choro.

A lista de fatos para que isso ocorra não segue critério, nem ordem alguma, simplesmente acontecem, independente do meu estado de espírito...

Assim como para muita gente, alguns filmes me fazem chorar. Posso assistir O Fabuloso Destino de Amélie Poulain pela 20° vez que continuo a soluçar com o encontro de tímida camarera francesa com amor da sua vida, tudo isso com a trilha sonora do Yann Tiersen, que me encanta muitíssimo. Nem preciso dizer o que sentí quando fui conhecer pessoalmente as ruas do Bairro Montmartre, em Paris, onde o filmaram.

No cinema, a última vez que me ví às lágrimas, foi assistindo O Banheiro do Papa há poucos dias. Ali também não tinha como evitar: até o mais gaudério dos gaudérios, ia chorar vendo a melancólica história do muambeiro Beto e seu grande sonho de melhorar a vida de sua família, aproveitando a visita de Sua Santidade ao Uruguai. Quem não se emocionar com o drama criado sobre a fé do povoado de Melo, vendo seus sonhos desabando em questão de minutos, só pode sustentar um iceberg no seu lado esquerdo do peito.

Mas, voltando à ordem das coisas, algo que me emociona muito é a fotografia.
Ver cenas de guerra me sensibilizam, mutilados na Angola, me comevem, crianças abandonadas na China mais ainda; baleias cruelmente assassinados no Japão, gente morrendo de fome na Etiópia nem se fala . .

Enfim, fotografia é algo que me toca. Mesmo não estando entre as sete artes mais consagradas, é impossível negar o seu valor. Para mim, ela é uma das mais importantes, pelo simples fato de me tocar, comover, me sensibilizar, me proporcionar um momento de reflexão e de inspiração para escrever estas linhas . . .

Há alguns dias uma simples foto me fez desistir da contagem até dez e me levou a um lacrimejar. Uma foto, como tantas outras que vejo todos os dias. Como tantas outras que salvo, excluo, organizo, renomeio, gravo, passo adiante...

Essa foto me fez prestar atenção de verdade nos detalhes, dar zoom, selecionar, enquadrar, afastar, aproximar e limpar as lágrimas denovo. Não consigo descrevê-la muito bem, talvez nem seja necessário.

Eu que sou uma simples apreciadora da fotografia, vejo sua representação mais pura aqui. Não falo de luz, de ângulo, enquadramento, muito menos de lente ou filme utilizados.

Falo do momento, do exato momento em que ela foi tirada. Estas mãos poderiam se encontrar, poderiam se tocar. . . Sim, isso seria o óbvio para foto, mas ela não é óbvia.

Falo deste tênue espaço que separa estas duas mãos, estas duas pessoas. Foi neste exato momento, que o botão foi disparado. No exato momento em que os olhares se cruzam tão fixamente e as mãos tentam se unir para completar a cena. Tentam . .

O que aconteceu antes, sobre o que falavam, o que combinaram para tocarem-se as mãos, as palavras que trocaram, uma tentando compreender o que a outra dizia . . . Ou então: o que fizeram depois? As mãos se encontraram, os olhares se desvirtuaram? Como se despediram? Para onde seguiu cada uma?

Nada se sabe e nada disso importa.

O que existe é apenas o espaço, a intenção, os olhares firmes, de afeto e de cumplicidade. Nestes olhares está a confiança depositada, mesmo que inconsciente, uma sobre a outra. Nada mais as distrai, o bico, o papel, a fralda. Nada mais. apenas os olhares e o pequeno espaço entre as mãos.

Foi neste momento, neste rápido e exato momento que o botão foi disparado. A graça da fotografia se revela por aqui neste momento, no apertar do botão. . .

Prende-se o respiro por um segundo, registra-se para a vida toda . . .


Ta aí a foto. Registrada por Nabor Goulart.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Vai tomar no Gooogle.....


A partir de hoje . eu não respondo mais perguntas . Vou responder da mesma forma como tenho escutado nos últimos dias : procura no google !

Querem falar comigo? Saber como eu estou . sintam-se à vontade . digita http://www.google.com/ e descubra tudo o que quiser.

- Quer saber a origem do meu nome? Vai no Google
- Minha idade? No Google tem
- A marca do meu carro . ano . modelo?
- O desejo da minha mãe quando estava grávida de mim?
- O que eu almocei ontem?
- Quantos anos perdi minha virgindade? Só no google . . .

Quer saber mais? Lá tem de tudo . . .

- A notícia mais atualizada?
- O livro mais vendido?
- A marca de cigarros do keith Richards?
- O antes e o depois de um Senador que arrumou os dentes
- Os impronunciáveis nomes . as nacionalidades . a orientação sexual que eles terão . o mapa astral dos 5 filhos da Angelina Jolie e Brad Pitt? Lá você encontra
- Busca emprego? Acabou o problema!
- Uma monografia prontinha pro Trabalho de Conclusão? Que tal?
- Quer um empréstimo? Milhares de opções para escolher
- O telefone de alguém . endereço . CEP . RG . CPF e até sua classificação no vestibular?
- Quer se achar? Procura o Google mapa
- Quer perder barriga? Ginástica para todas as idades . . .
- Saber todas as posições do kama Sutra . com gráficos . fotos e vídeos para ilustrar? Lá tem. . .
- Quer saber qual o resultado do Jogo do Grêmio x Sport hoje à noite? Vai no Google. . . aposto que já está lá . 8 horas antes do jogo

Lá tem tudo . Todo mundo deve ter um Grande Q.I . por que todo mundo indica o Google! IMPRESSIONANTE!

Pra quem tem preguiça de pensar e dizer: "não sei" . "não lembro" . "não faço idéia" . "desconheço" . "nunca ouvi falar" ele é a resposta certa . na ponta da língua e em várias línguas . acho que deve ter google até em tupi-guarani . . .

O Google é pra aqueles que sempre gostam de ter uma resposta . mesmo que esta resposta seja uma grande pergunta . Não se bastam com um simples "não sei" . Não saber alguma coisa é algo abominável nos últimos dias . já que todo mundo sabe tudo . entende de tudo . saca de tudo e tem a ensinar a todos sobre o tudo .

O Google é o último refúgio pra aqueles que não querem admitir o "não saber" . E eu que pensava que a gente não sabia de tudo . que sempre tinha algo mais a aprender . . . pobrezinha. . .
É isso . para muitos o Google é o apoio . a salvação . a primeira e única fonte de pesquisa . seja qual pesquisa for . O google é bonitinho . coloridinho . sempre com uma novidade . e . claro . fácil . muuuito fácil.

As pessoas se desacostumam com coisas dificeis . complicadas . trabalhosas . preferem o caminho mais fácil . o pronto . o limitado . mesmo que ele seja tão ilimitado .

Tá aí . cansei de perguntar. sem ter resposta pensada . com reflexão . escrita . falada . digitada . . .

Não sei mais nem da minha vida . Vou até a perguntar pro google . pra ver se eu descubro a data da minha próxima ovulação . . .

E viva o mundo da preguiça ! Salve os adoradores do Google!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Três pessoas . . .

Estava eu na Redenção no domingo. um belo domingo de sol . de inverno . assim como o lindo sábado de sol de inverno . que eu passei em casa com enxaqueca . pensando na batida no meu carro . nos convites pra sair . e na maldita ligação que acabou com meu humor. . .

Conversava próximo ao Expedicionário com dois amigos . tá, uma amiga e um conhecido . que tinha acabado de me conhecer . conversávamos sobre relacionamentos . casos . passado . sexo casual e futuros romances . quando o cara larga uma:

- O mundo é tão imenso . tanta gente pra conhecer e se envolver . não fiquem achando que o amor da sua vida passa só uma vez . Aqui mesmo na Redenção . com esse monte de gente . certo que teriam três pessoas . no mínimo. para ser o amor da vida de vocês.

- Hummm. . . ( fazendo uma cara de quem acabou de ver a descoberta da roda . eu concordo e penso)

Resoluções urgentes para o segundo semestre: Prometo passar mais pela Redenção!



Pra quem já não tava de bom humor...

16h37 Um sábado lindo de sol e eu num quarto escuro, dormindo, tentando espantar a minha primeira crise de enxaqueca que se acomoda na minha cabeça desde que voltei da UE.

Eis que toca meu celular . numero desconhecido . atendo com muito sacrifício.

- (Humpf) alô
- Alô? quem fala? (uma voz de um homem com seus 65 anos . imagino que seja um tiozão barrigudo, aposentado, dois filhos, uma mulher esperando em casa e uma neta de dois anos)
- Luciana
- quem? Cristina?
- Nãoooooo....L - U - C - I - A - N - A !
- Ah desculpa, foi engano
- Tudo bem (Eu respondo) Vai tomar no meio do cu com teu engano (Eu penso...)
- Hum mas me diz uma coisa, é solteira ou casada, meu anjo?

Ahhhhhh mas vai ver se eu tô na esquina. . .
Valetagem não tem idade mesmo. . . .

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Para tí

Bom seria se eu pudesse escrever tudo o que anda passando na minha cabeça nos últimos dias. Gritar pros quatro ventos até todo mundo ouvir o que ando sentindo e pensando...

Mas não dá, ainda não consigo e não posso.

Mas resumindo uma frase do Jorge Drexler, só tenho a dizer que "todo pasa en el momento menos pensado... "

É isso, quando menos esperamos, as coisas passam a acontecer...
Mas vou ficar assim, com a boca fechada como o Drexler por enquanto, até as coisas ficarem mais definitivas.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Só Deus sabe...

Imagine alguma coisa que te traz milhares de sensações ao mesmo tempo: alegria, disposição, nostalgia, felicidade e uma dose de melancolia também.

Algo que te dá uma imensa vontade de sair por aí abraçando todo mundo, de abrir as janelas, de sentar na grama, fazer as malas e viajar, roubar um beijo, se atirar no mar, se declarar, ver o pôr do sol, ligar para alguém que tá longe...e até mesmo te motiva a escrever no blog...


Sim, agora imagine se tudo isso tiver a aprovação do Paul Macartney, dizendo
que God Only Knows é a música mais linda de todos os tempos!

Não precisa imaginar mais nada...

Basta ver, ouvir e simplesmente sentir o que essa música transmite. São curtíssimos 2:43 minutos pra gente se sentir aliviada e de bem com vida!

Segundo o que andei lendo, o autor, Brian Wilson, se declara à mulher, Marilyn, nesta letra. Mas além da declaração, a música é um pedido de desculpas pelo seu comportamento instável durante as turnês dos Beach Boys.


Bom, pra mim ela também é mais do que especial porque foi a trilha sonora principal nas minhas passagens por Paris e Berlin. Ou seja, ouvi-la é lembrar de cada minutinho nesses lugares...

Vale a pena sentir o som!


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