terça-feira, 26 de agosto de 2008

um barbudô . . .

terça-feira . depois do cinema . vou no mufuletta com um amigo

do fundo do bar eu vejo um barbudôôôô
depois do filme parece que saí pela cidade baixa à procura de um bixo grilo . e não é que eles estão por aí . perdidos . loucos para serem encontrados.
lá estava ele no balcão do bar . entre um cigarro e outro . uma cerveja e outra e uma conversa fiada e outra

e eu lá no fundo entre um free box e outro . uma Original e outra e um blá blá blá e outro

o barbudô . com a barba meio ruiva . meio castanha . o casaco de couro preto . o cigarro entre e os dedos e a fumaça que por vezes escondia seu rosto. seu belo rosto e a boca . que boca!

tragada lá . tragada cá . um gole aqui e outro lá . e aquelas olhadas de quem quer te ver na cama em minutos .

No final . vou ao banheiro e quando volto . nada dele . sumiu!

não sei se foi o filme . ou o efeito da segunda Original .

A Cris acha que foi uma miragem . sonho . cara sozinho na noite . dando mole . ou então que ele deve ter chulé ou é gay .

se ele tinha chulé não sei . mas gay não era.

um gay jamais bebe cerveja te olhando pelo canto do olho e não quer te ver pelada em minutos
Não! Nunca! Jamais!

volto lá outro dia pra encontrá-lo . ou não .
e um recado ao Fidel . sim, a culpa é tua, comandante!

em uma mesa ao lado . . .

terça-feira à noite . eu espero uma amiga para ir ao cinema . na mesa ao lado um casal conversa . ela diz:

- Ah tá passando "A culpa é do Fidel". Quero ver!
- Eu também
- É da filha do Costa Gravas, né?
- Sim, mas é da filha do Costa Gavras.
- Então?
- É Gavras!
- Mesmo assim . Continuo querendo ver .
- Tudo bem . mas é G-a-v-r-a-s .
- hum legal . mas vamos pedindo a conta, amor?

Depois . dizem . mulher é que é detalhista



segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Numa segunda assim . . .

Não interpretem mal amiguinhos . sem duplos sentidos . please

Mas enquanto os baianos aqui dizem:

- que frio da porra!
- que calor da porra!
- que vento da porra!
- que campanha da porra!

Sou capaz de dizer hoje

- Que saudade da porra . puta que pariu!

Quem foi que inventou a TPM? Se eu descobrir, eu mato!

domingo, 24 de agosto de 2008

Meu nome próprio

O nome não é só meu . poderia ser qualquer um . poderia ser a Joana . a Clarah . a Lúcia . a Carolina . a Mariana
No filme é a Camila . mas ali sentada na poltrona do Arteplex era a Luciana que nas primeiras cenas viu seu nome próprio filmado e transmitido para as mais de cem pessoas desconhecidas da sala do cinema .

as primeiras cenas . fortes . violentas . estúpidas . baixo nivel . como só eles já encenaram por algumas . diversas . muitas vezes .

estranho . ruim . me vi ali gritando . batendo . xingando . humilhando . vomitando palavras que não diria ao pior safado do mundo . mas disse . e ele nem era tão canalha assim .

e vi como é ridiculo . como é estúpido deixar alguém ser tão cruel com você e se permitir ser tão cruel com alguém .

mesmo assim . entendi que as pessoas são vitimas dos seus próprios erros e vivem na sua "vitimez" como se tivessem que ouvir um pedido de desculpas a cada segundo . como se fossem coitadinhas . simplesmente porque é cômodo ser coitadinho e elas querem isso pro resto da vida

é isso que elas querem . querem ser os próprios coitadinhos pro resto da droga de suas vidas .

foda . o cara era igual . e falava coisas iguais as que ela já ouviu muitas vezes . e mandou ela embora igual . assim como a outra foi mandada embora . mas ela não deu pra outro . foi porque já não se preocupava em dar boa noite antes de dormir . ou foi porque tinha que ir mesmo . porque ele já queria que ela fosse há muito tempo . . .

só quem já rasgou fotos . já cuspiu na cara . já deu beijos cheios de ódio . mas loucos de paixão . já atirou vasos de flores . copos de vidro . já perdeu computadores . já pisoteou em cds sabe do
que eu escrevo

da louca intensidade de amar e odiar ao mesmo tempo .

talvez o cinema seja feito pra isso . no escuro da sala ele vem pra remexer com o nosso lado mais sujo . mais obscuro . aquele lado que ninguém quer ver . o lado que ninguém quer mostrar .

neste domingo eu encontrei meu nome próprio no filme . só queria que ele tivesse sido menos cruel comigo .


Em Porto Alegre

Na Zero Hora de domingo:

Fogaça 33%
Manuela 21%
Rosário 16%

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

tlec tlec tlec

Ao fundo escuto um som de violão . alguém canta baixinho um lá lá lá acompanhando o tom desafinado que sai das cordas do instrumento . na minha frente escuto um "come together" dos Beatles . a loira de óculos canta alto o refrão enquanto tecla insessantemente no teclado de seu lap top

tlec tlec tlec é o som que escuto todos os dias . vindo dos lap tops

é o som que sai do meu lap top neste momento

junto com o "come together" e o som do violão que escutei hoje pela primeira vez por aqui .

tlec tlec tlec tlec tlec tlec tlec

alguém olha o relógio . coça a cabeça . faz cara de preocupação

a foto ainda está desajustada . o windows não te ajuda . caiu a internet . não faz o print screen .

e o dia passa . mais um dia passa por aqui .

mais um dia passou . são 18:07 e eu querendo saber de quem era o lá lá lá do violão

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Bello . Bella . Belle na sexta!

Não sei vocês . mas este foi um dos clipes mais legais que já vi nos últimos meses .




E aí a tradução . . .

Tenho sorte, posso abrir a porta e caminhar pela rua
tenho azar, não tenho aonde ir a não ser seguir meus
passos
uma escolha está à sua frente uma dose saudável de
dor
uma escolha está à sua frente quando olha através da
chuva
uma escolha está à sua frente, mas escolhi me abster
por hoje
amanhã estarei de volta ao problema
sonho um: você se divertiu muito com um comediante
pare de eliminar todas as possibilidades você ter que
fazer isso algum dia
por que isso está acontecendo, você nâo é uma
criança?
por que isso está acontecendo, você tem muito em sua
mente?
as coisas o molestam quando está em sono profundo
você está sonhando, você está sonolento
você está preso aos lençóis
numa cidade tão pequena você não foge
numa cidade tão pequena não há saída
numa cidade tão pequena não há o que fazer
sonho dois: você não vê a face dela, mas vê tudo o
mais
o sonho dois foi bem especial supera o amar a si
mesmo
você pode dar um nome ao suspiro de alguém?
você pode dar um rosto aos olhos de alguém?
é alguém que você pode reconhecer?
mas tudo vira manhã quando você abre os olhos




Dirty Dream Number Two - Belle & Sebastian

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!



definitivamente . ando num momento meio Bernardinho de ser. Tanta coisa acontecendo e ao mesmo tempo o nada acontecendo me deixam com vontade de morder . gritar . chorar . me escabelar.

eu detesto expectativa . detesto ficar nessa ânsia de saber o que vai acontecer . de não saber se o que vem é bom ou ruim . se vai ser melhor ou pior. de não saber para onde vou . se devo correr . se devo parar . se devo virar pra esquerda ou dar um passo pra tras .

pra essas horas . só muita careta . cara feia . mão fechada e esperar .

esperar

e

esperar . . .

o inesperado.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

na da

Tem gente tão insignificante que não merece atenção . não merece um bom dia . não merece um boa noite . não merece um aperto de mão e nem um olhar .

tem gente tão insignificantes que não vale sequer . . .

um chiclé mascado
uma caneta bic estourada
um isqueiro sem gás
um palito de fósforo queimado
um camisinha usada
um lápis sem ponta
um jornal do dia anterior
uma internet discada
uma moeda de um centavo

tem gente tão irrelevante que não merece

nem ao menos um alô . e muito menos um tchau

tem gente que não merece uma palavra . uma letra . uma virgula . um espaço em branco .

tem gente assim . tão insignificante .
que não merece nada de mim .

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

"Se não for por escrito, eu não me animo a dizer"

Meu vô morreu.
Meu vô se foi no domingo.
Mesmo que todo mundo . no fundo . esperasse por essa hora . no fundo . lidar com a morte é sempre tão ruim . não tem como não doer. Mesmo que se tente ser forte . sempre dói . e dói muito . engasga na garganta . molha os olhos . deixa o coração apertado.

Meu vô era uma figura . não . figura era pouco pra ele . meu vô tinha muita personalidade . de sobra . pra dar . vender . repassar .

Meu vô um dia veio pra "cidade" . sim . meu vô era do interior . a imagem típica do gaúcho do interior do interior do Estado . chapéu . bota . lenço . cinto e bombacha . sim . sempre a bombacha . nunca o vi sem bombacha . mesmo num dia de calor terrível . eu o vi na beira do açude de bombacha dobrada . podia fazer o maior calor . mas lá tava ele de bombacha no meio dos joelhos .

Um dia . há muitos anos . ele veio pra cidade com os filhos . alugaram um apartamento no centro da capital e ele logo começou a trabalhar como porteiro do prédio alugado na Rua Duque de Caxias . conversador . bom de papo . prestativo . logo ganhou a confiança do dono do edificio.

Nos primeiros dias . tranquilidade . até que um dia . chegam os filhos em casa e um grande fogo de chão na porta do prédio . na calçada . era meu vô . matando a saudade do interior . sentado . tomando um mate . vendo o movimento da cidade grande . Deram um jeito de levar o vô de volta pro interior .

Meu vô gostava de televisão . gostava de ver a novela . mas o
que mais gostava era de ouvir seu radinho de pilha . ligado na radio Fandango de Cachoeira do Sul . ali deitado . ele ouvia as "comunicações" . o horário dos avisos de falecimento . aniversários . pedidos de carona para a capital.

Meu Vô tinha uma risada engraçada . a risada dele era mais engraçada do que muita piada . e eu sempre me ria por dentro quando o escutava tomar café com leite na caneca de alumínio. ele sempre fazia um barulhinho para beber . meu vô adorava café com leite e pão .

Eu posso sentir o cheiro do fumo de rolo que ele cuidadosamente cortava com sua faca afiada . e depois preparava o palheiro e depois acendia aquele cigarro de palha mais fedorento
que eu ja senti na minha vida .

Eu posso ouvi-lo dizer. ôôôôôô Lú . ou chamar meu pai de Quico . ou posso ainda ouvi-lo chamar minha mãe de "Dalva véia" . mesmo tendo um pouco mais da metade dos seus 77 anos .

Outra vez ele veio pra "cidade". e pintou os cabelos . ou melhor . minha tia pintou seus cabelos . dos poucos cabelos que mantinha sobre sua vasta careca . todos eram branquinhos . desde
que eu me lembre de tê-lo chamado de vô . me lembro de seus cabelos branquinhos . Mas aí ele pintou todos aqueles cabelos brancos de pretos! E minha vó ficou louca da vida!

- Vai te parar com essas bobagens da cidade . Vino . (ela disse)
Eu disse que meu vô tinha personalidade .

Meu vô tinha um nome engraçado . Se chamava Ervino . mas era só no papel . seu nome mesmo era "Vino" . ou tio Vino . ou seu Vino ou vô Vino . meu vô Vino!
Aquele vô "lá de fora" . que tinha uma charrete . que tinha história pra contar . de pescaria . de carreira de cavalos . de bailes . de caçadas . sentar do seu lado . era certeza de ouvir um "causo" novo .

Mas meu vô um dia caiu do cavalo e bateu a cabeça e cortou a orelha e
quebrou uma perna .

Meu vô veio pra porto Alegre . ficou dois meses cuidando da perna . faixa . gesso . pino . tala . raio x e tudo mais . ficou na minha casa . e no dia de ir embora . no dia . com as malas todas prontas . ele caiu em casa . na minha frente . e quebrou denovo a perna e teve que voltar à faixa . gesso . pino . raixo x . tala . muleta . outra vez .

Depois dessa . meu vô não ficou mais o mesmo . meu vô nunca mais caminhou se apoiando nas duas pernas . quando não era muleta . era cadeira de rodas . quando não era cadeira de rodas . era o colo .

Meu vô se deitou numa cama e permaneceu deitado até ali até domingo. nos últimos dias ele sabia que tinha que ir . já conversava com seus amigos e filhos que já tinham ido e que estavam lhe esperando .

meu vô se foi . eu fico triste . dói de não saber que não o verei mais . não escutarei sua risada e o barulhinho na xicara de alumínio .

mas fico contente também . sei que ele descansou . que minha vó que há anos o cuidava também vai descansar . agora . tranquilo ele pode contar mais "causos" por aí . quem sabe pode voltar a dançar num fandango . como ele gostava . ou pode voltar a andar a cavalo e passar a noite numa pescaria.

fico feliz de ter lhe dado todos os abraços que queria e deveria . ter aceitado todos as vezes seu chimarrão . ter aprendido a gostar de sentir o cheiro do campo e participar de pescarias com ele . fico feliz de ter tido meu avô como meu avô. de verdade!

vou lembrar sempre dos cabelos brancos e da mãozinha abanando pros carros que passavam lá longe na estrada . . .

e ele gritando:

Opppaaa!



sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Balão Vermelho

Quinta à noite . Nova Olaria . Cidade Baixa . Eu espero um amigo para um café e conversa descontraída.

Na entrada do cinema . duas senhoras . aparentando ter uns 50 anos . levavam um menino com seus sete anos . loirinho . blusãozinho vermelho . calça cor de cáqui . olhos verdes e cabelo cogumelo.

Ele foge . deita num banco . esperneia . chora e diz resmungando :

- Não quero ver o filme do Balão Vermelho. Não quero! Não Queroooo!

A senhora . que devia ser avó da criança . pergunta espantada:

- Por que Guilherme? esse filme eu vi quando tinha a tua idade, é lindo!

E ele, levando os pequenos braços à cintura e fazendo beiço, responde:

- Não quero ver um filme de um balão ! Quero ver o Batman.

O filme em questão, era O Balão Vermelho. Sucesso em mil novecentos e poucos, o filme conta a história de um menino solitário em Paris que encontra um balão vermelho amarrado em um poste. Ele sai pelas ruas do Bairro Montmartre. O garoto descobriu a cidade com o "novo amigo" e os dois armam planos para fugir e se esconder das pessoas que ficaram instigadas com a amizade entre um garoto e um balão.

O filme é leve e poético . Dificil para as crianças dos dias de hoje que já nascem assistindo conflitos . sangue . guerra . tiroteios . violência . . . e os filmes do Batman.


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