sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Na casa alheia...

vivemos de mudança. mudamos de carro, de aparelho celular, de operadora. mudamos do windows por linux, de namorado, marido, amante ...

mudamos da casa pro apartamento, mudamos a praia em que passamos as férias, há quem mude até de sexo!

mudamos de partido político, de escola, de Universidade, de profissão...mudamos de cidade, de religião, de Estado e até do nosso país de origem. mudamos até a nacionalidade...

há quem mude o nome para "abrir os caminhos", outros mudam de banco pra fugir das dívidas, há também quem mude de pista, na ânsia de chegar mais rápido...

mudamos, todos! E é saudável mudar. Mudar de opinião, de vontades, de opção. Faz parte da nossa evolução e da grande confusão que é a mente humana.

mas tem uma coisa que é muito dificil de encontrar. Eu diria impossível: a mudança do time de futebol!

a menos que a criatura tenha seus 7, 8 anos e ainda tenha que escolher entre o time do pai, do avô ou ainda, do dindo, é praticamente impossivel de ver alguém trocar de time de futebol.

não falo de profissionalismo, falo de paixão. da única e exclusiva paixão pelo futebol, porque até as paixões sentimentais a gente muda...

só eu já me apaixonei e "desapaixonei" umas três vezes durante esse ano.

falo do futebol...essa coisa maluca de amar um time, um clube!!

eu lembro que comecei a gostar do grêmio por causa do meu vô. meu pai é colorado, mas não me incentivava tanto. mas eu via meu vô e meu tio Adriano, berrando, sofrendo, comemorando, gritando pelo grêmio. queria sentir aquilo, queria saber o que era aquilo que sentiam...

e assim foi...
entre Paulo Nunes, Jardel, Felipão, Copa do Brasil, Brasileiro, libertadores, derrota pro Ajax fui me tornando gremista e aprendendo a gostar, mesmo que sofrendo às vezes, e muito!

e hoje fui parar no Beira Rio. Eu e mais três pessoas dentro de um carro. Todos os demais: colorados!

e eu ali, entrando num terreno estranho, numa casa estranha, num mundo estranho. pra todos eles, entrar ali deve ser o mesmo sentimento de estar em casa. Pra mim, era o sentimento de ir na casa de uma colega só para fazer um trabalho de aula. Você sente uma sensação estranha, pq afinal ela é apenas sua colega de aula, não tem intimidade. Depois do trabalho, talvez vocês nem se vejam mais, tampouco troquem mais algumas palavras, mas por alguma necessidade você teve que estar ali e sempre existe uma sensação estranha ao entrar na casa alheia.

e eu estava ali e pensando como aquelas pessoas estavam se sentindo ao entrar em casa. talvez nem tivessem se dado conta, talvez estejam tão acostumados a entrarem ali..

e naquele momento, naquela tarde quente de Porto Alegre, mesmo que com aquele ventinho fresco que vinha direto do Guaíba, eu me sentia uma estranha.

tentei me imaginar, nessas alturas do campeonato, trocando de time, vestindo uma camiseta colorada, cantando na popular. não dá. é impossível.

há quem seja neutro, que não se importe com futebol ou não tenha um time...sim, eles existem...

mas nenhum deles deve ter sentido a emoção de ver um time entrar em campo, de ver uma torcida vibrar por um gol ou reclamar do juiz por um penalti não marcado.

eu ainda, mesmo que sofrendo prefiro torcer e apoiar, mesmo que nas horas dificeis, naquelas piores fases...por que ainda sei que sofrer é possivel, mas mudar de time não!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

(des)ordem

Freud um dia ensinou; o David Coimbra reescreveu no blog dele hoje, e eu...

Bem, eu assino embaixo por aqui, se é que isso vale alguma coisa:


"Tudo na vida é casa, comida e sexo”.

(Mas só acho que não precisa ser, necessariamente, nesta ordem)

tá quente aqui . . .

desculpem, mas o calor me inibe e eu não consigo pensar, muito menos escrever.

talvez, quando passar o verão, que ainda nem começou, eu apareça por aqui denovo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Quem falar primeiro . . .

Dona Yeda brincando de vaca-amarela.

Foto: Fernando Gomes

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O vento . . .

O bom mesmo é não ter respostas . . .

Andava ultimamente tentando encontrar soluções pros meus conflitos. Vi que é inútil. A vida é muito melhor quando nos deparamos com outras possibilidades, quando pensamos que as coisas vão seguir para um lado e seguem para outro. E melhor ainda! É bom saber as respostas, mas o melhor mesmo é aguardar as surpresas!

Uma musiquinha que me faz pensar muito sobre isso:

Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
- Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
Isso eu vi, o vento leva!
- Não sei mais...
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...
E isso por quê?Diz mais!
Se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem
então o que resta é chorar
e talvez ,se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três, se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá, e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar... Ah!!!

rodrigo amarante . o vento

domingo, 9 de novembro de 2008

Por um pouco mais de cor e ação neste mundo . . .

Minhas pernas curtas levam passos apressados, que andam desgastando os joelhos a cada dia. Tento buscar e iluminar meu olhar, mas ele prefere passar a maior parte do tempo na obscuridade, perdido. Minhas costas carregam um peso maior do que de fato aguentam. Meus movimentos são bruscos demais para minhas mãos leves e pequenas. Pobres dos meus braços que têm que se virar em "dois" pra conseguir acompanhar o ritmo delas. Já os cotovelos vivem reclamando de dores muito fortes . . .

Quase sempre minha voz é mais estridente do que suportam meus ouvidos. Meus pensamentos teimam em não ouvir a razão e quase sempre eles têm razão mesmo. Meus sonhos são tão independentes e já se acostumaram a voar tão alto que até desistiram de esperar a lentidão das atitudes. O sono é tão profundo que despreza os rápidos cochilos. Já o sangue ninguém consegue acompanhá-lo, corre rápido demais, mas sempre faz questão de me lembrar que é o que há de positivo nesse corpo.

Os pulmões já pedem afastamento da fumaça negra. Os rins sempre sedentos imploram por água, água e mais água! Já o fígado, reclama trabalhar demais. Ao final de cada dia, os pés se rendem e só pedem asilo em uma cama confortável, mas sempre inventam um conflito com a coluna, que por sua vez, acha que tem prioridade para descansar primeiro .

Mas de todos eles o coração é o que dá mais trabalho. Porque além de ser o mais teimoso, é rígido, gelado e frio demais. Não há quem o aqueça, muito menos o que o derreta . . .


Quando ele inventa de se movimentar, causa um transtorno em todos os outros. Quem andava devagar agora corre e quem corria resolve estagnar. Um verdadeiro caos! Fora que ele sempre arranja confusão com a razão, com as lentas atitudes e com aquela turma que só pensa em sacanagem, eles definitivamente têm opiniões muito distintas . . .


Mas eu não posso reclamar, ao contrário, eu sempre agradeço! Porque quando ele resolve se mexer, mesmo que eu sinta uma dor terrível ao vê-lo entrar em choque com todos os outros, mesmo que eu apenas reconheça o esforço dos demais, mesmo assim, eu sempre agradeço. Porque sei que somente ele com todo o transtorno que me causa, só ele com a confusão que ocasiona, só ele e apenas ele com todos seus movimentos faz com que eu me sinta realmente viva!

Ilustração: Eva Uviedo - Editora do Bispo

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

07 de novembro

Quando ele nasceu eu tinha 12 anos.

Até então, eu tinha um mundo inteiro para mim. Já havia ganhado todos os brinquedos que sempre pedi, tirando o carro da Barbie, que eu tinha que dar um jeito, colocando a boneca dentro de um tênis. Eu já tinha escutado todos os discos da Xuxa, já tinha passado pelo jardim, já sabia o que era carregar uma mochila nas costas.

Quando ele nasceu eu era ao mesmo tempo a caçula, a do meio, a filha mais velha, eu era a filha única! A queridinha do papai e da mamãe e da vó, que me chamava de burguesa, tanto eram os caprichos da minha mãe. Tinha as bochechas mais fofas e que todo mundo adorava apertar, bem alguns ainda adoram até hoje(!).

Eu já havia morado em um apartamento só com os meus pais, já tinha ganhado a bicicleta que eu mais queria de natal, já tinha usado todos os sapatinhos, chinelinhos, sandalinhas e todas as outras coisas que um dia inventaram de colocar cheiro de chiclé.

Quando ele nasceu, eu já tinha passado da fase de ler, escrever, fazer continha. Já tinha aprendido como se faz para tirar a raiz quadrada de 9, já tinha tirado a minha primeira nota vermelha, em ciências. Já sabia o que era me preocupar com o boletim, mas também me preocupava em fazer questionários pra saber o que os amigos pensavam. Quando ele nasceu, eu já sabia que "virgem" não era apenas um signo no horóscopo.

Quando ele nasceu, eu já havia me mudado outra vez com meus pais. Desta vez para uma casa. Já tinha tomado todos os banhos de pisicina sozinha e já havia aprendido a gostar do sabor do chimarrão ainda mais na sombra de um pé de manga em frente à nossa casa.

Eu já tinha passado da fase de pedir um irmão, também já tinha passado da fase de brincar com os primos. Quando ele nasceu, eu já tava na fase de descobrir que as primas também passavam por situações parecidas com as minhas e que dormir na casa delas no final de semana fazendo os testes da Capricho é que era divertido.

Enquanto ele descobria o seu mundo, abrindo os olhinhos um pouco mais a cada dia, eu já estava com os olhos bem abertos pros meus colegas da sexta série. Quando ele nasceu e descobria o quando era bom um leite quentinho no peito, eu descobri que ia ter que sangrar todos os meses por muito tempo e que tava virando mocinha.

Enquanto ele recebia beijos, abraços e apertos de toda a família, eu dava meu primeiro beijo em um colega, escondida detrás de uma arvore no colégio.

E enquanto recebia todos os carinhos e presentes, eu me meti na primeira e única briga no colégio, que não passou de um puxão de cabelo, meu estojo de lata jogado no chão e um choro contido em casa.

Quando ele nasceu, a única música que ouvia era numa caixinha de música em cima do berço. Eu já estava descobrindo as festinhas de garagem, numa mistura de Cindy Lauper com Guns'Roses.

Enquanto ele descobria o seu mundo, receheado de fraldas, mamadeiras, papinhas, dentes nascendo e primeiras palavras, eu descobria o meu mundo, cheio de interesses, festinhas, pequenas paixões, fragilidades, intimus gel com abas e provas de ciências no final do bimestre.

E assim foi, ao longo dos anos, cada um a seu tempo, descobrindo seu mundinho, aprendendo a seu modo, sonhando seus pequenos e grandes sonhos.

Quando ele nasceu, eu não tive ciúmes, já nem me preocupava muito em ter que dividir a atenção dos meus pais. Já havia convivido bastante com eles. Ele era apenas meu irmão. Não acompanhei muito seu crescimento, talvez tenha me dado conta que ele estava crescendo de fato quando as fraldas foram trocadas por cuequinhas da Turma da Mônica.

E é meio louco isso! parece que há algumas coisas que se apagaram, se perderam em minha memória. Não lembro da primeira palavra que ele disse, não lembro do seu primeiro dia na escola, não lembro do boletim com nota vermelha, e muito menos sei se já deu um primeiro beijo. Mas a árvore continua lá e a escola em que estuda é a mesma. . .

Não sei, não vi e não me contaram, talvez porque eu estivesse preocupada demais em descobrir o meu mundo apenas.

Mas hoje é o dia dele. E eu me dei conta que ele tá virando um homem, que já tá maior que eu, que sua voz ficará mais grossa que a minha, que seus braços terão mais forças que os meus e que nós estamos cada vez mais parecidos, mesmo que tão diferentes, mesmo que cada um em seu mundo.

E ele me orgulha, e muito! mesmo sendo teimoso, mesmo sendo desleixado com os cadernos, mesmo sendo tão colorado...

Me orgulha porque é esperto, porque é músico, sabe tocar baixo, violão e gaita e porque me salva quando quero gravar um cd. Mas me orgulha muito mais porque é sensível, porque demonstra o que sente, porque explode, se irrita e chora! tão diferente de mim . . .

E eu digo que o amo, mesmo que seja por escrito! E sei que temos um mundo inteiro juntos a descobrir, mesmo depois de tanto tempo e tanta distância . . .

Hoje é teu dia, Léo! Parabéns por ser exatamente do jeito que és!


domingo, 2 de novembro de 2008

dos días en la vida . . .

. será que é possível ajustar uma vida em dois dias?

eu tentei. Eu juro que tentei tirar esse final de semana para colocar minha vida em ordem . Em vão ! tudo definitivamente em vão...

corrigir em 48 horas o que vem sendo causado há 24 anos, quando eu me arrisquei a sair berrando por aí numa sala de hospital, é uma tarefa impossível.

tentei fazer do final de semana um tempo para conseguir reajustar meus planos, reencontrar meus objetivos e apontar as alternativas. tentei também organizar o coração, ajustá-lo com a razão. descobri que é tão inútil quanto tentar ensinar um cachorro a ler...

afinal meus dois dias só serviram pra me deixar mais confusa! mais sem rumo, sem saber pra que lado fugir, correr, me esconder...
era tão mais fácil antes, quando eu fugia pra minha casinha de papelão no meio da sala e me escondia lá dentro com as minhas bugigangas: as minhas panelinhas de plástico, meus livros de historinha e minha boneca pepoza.

era tão mais fácil também quando eu encontrava tesouros pela casa: uma pilha de revistas e cortava, cortava, cortava e depois colava, colava, colava até cansar...ahh eu me divertia...

era tão mais fácil, quando o peito não doía . . . quando a lágrima só caía quando eu levava um tombo de bicicleta e quando sonhar era sinônimo de esperar o presente no próximo natal.

nesse final de semana eu quis fazer tanta coisa: quis ler um livro, só abri a primeira página, meu pensamento tava longe. um filme? parei ainda nos créditos iniciais. ver os amigos? ninguém aguentaria meu mau humor!
queria pelo menos ter tomado um porre, enfiar a cabeça na garrafa, mas a lei-seca me inibiu e na geladeira só havia leite e água. fiquei com o leite.

tentei ouvir música, muita música . mas nem chico, nem nei, nem cartola, nem camelo, nem neil young, nem nara leão, nem um ac/dc bem alto me deram respostas pras minhas dúvidas.

comecei mil coisas: um texto, uma poesia, uma história, uma frase, um curriculo, um trabalho de faculdade, uma declaração de amor. todas elas continuam lá, pela metade, me esperando...
tentei fazer uma faxina, me distraí com um caderno antigo e lá estavam mais uma dezena de anotações pela metade. É, já tinha passado por isso algum tempo atrás... as crises sempre voltam...

televisão? nem pensar, passei longe. O mundo estava longe. Da corrida? não sei...das eleições americanas? nem quero saber...e tenho raiva....

sim, tenho raiva de quem sabe...de quem tem resposta pra tudo, na ponta da língua. ao toque dos dedos. aqueles que controlam as emoções, ou que pelo menos não se deixam abater pelos apertos momentâneos, pelas enrascadas sutis da vida.

às vezes eu sinto que as respostas pras minhas angústias estão contidas numa bula de remédio. mas eu sinto tanta preguiça de começar a ler as pequenas palavras...

enfim, continuo tentando buscar alguma resposta, qualquer uma que seja . . .

enquanto isso, além de tanta dúvida pairando eu ainda me pergunto: o que há de tão fantástico num domingo?

sábado, 1 de novembro de 2008

Há sempre . . .

há sempre tanta desgraça
em meio à carcaça.
Que passa
disfarça
parece que enlaça
mas te ameaça

te joga no chão
te deixa na mão
até parece que não viu
faz de conta que fugiu
mas controla essa prisão

há sempre no rosto do outro
além de um soco
mais do que um sopro
um grande e extenso osso
mas que sustenta o pouco

há sempre no meio do mato
um delirante gaitato
que já não tem medo de rato
que atua sem ser mandado
quando quer criar um fato

e o pobre coitado
que tem medo do tudo
do escuro
do juro
do muro
já não dorme
já não sabe seu nome
já morre de fome
e nem sonha com o futuro.

Já foi!

Dizem que ela é sempre a última que morre. . .

Lamento informar, mas a minha esperança acabou de entrar na fila do SUS.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails