quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

60 minutos pra ser feliz!

um ria meio tímido. o outro acendia cigarro e compartilhava cerveja . enquanto ela sentia, literalmente, o calor da noite porto-alegrense.  cada movimento do trio era acompanhado pelos olhos atentos do público que gritava a cada acorde da guitarra ou ao toque do suave pianinho.  seja lá o que fizessem o público vinha abaixo. e  gritava, gritava, gritava...

não por acaso, porto alegre foi escolhida a capital para dar inicio à turnê. se amarante, e os 'los', uma vez já havia sido duramente vaiado no mesmo palco do opinião, o público, talvez o mesmo ainda(?) agora num clima do tipo "o que passou, passou" veio cantar do inicio ao fim as musicas do novo grupo. era um acerto de contas. um justo pedido de desculpas . devidamente aceito . publico e musico fizeram as pazes . e daí pra frente era a mais pura entrega.

de forma (in)formal, amarante tambem desculpou-se: o repertório do cd, composto por 11 músicas, mais duas novas e desconhecidas, não permitia mais do que poucos minutos de apresentação.
ninguém se importou . mas no fundo se viesse alguma do strokes ou outra do los cairia bem também.

com o amarantês já conhecido, a simpatia do fabricio que se esforçava pra lembrar do português e a tranquilidade de Binki . os 60 minutos foram suficientes pra alegrar a noite da terça-feira.

impossivel não sentir falta do camelo ao lado do amarante. mas enquanto amarante pulava . camelo mexia a boca . amarante pulava e cantava . camelo mexia a boca . amarante pulava . cantava . se contorcia . camelo? apenas mexia a boca...

por uma dessas, que curti mais o agito do Little Joy . amarante pula . canta . toca guitarra . se esperneia . enquanto fabrizio bebe uma cerveja . e logo após a moça enxuga o suor do hiperativo amarante. numa verdadeira sintonia entre amigos ...

 

little joy nos Eua


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

todo se transforma

ontem encontrei uma amiga .

a redenção não poderia estar mais tranquila . a temperatura mais agradavél . a "paisagem" mais atraente e o chimarrão mais saboroso.

nosso assuntos foram variados . misturavam-se entre os novos . os antigos . as novidades . a falta delas . as perspectivas para o logo . para o distante e nossa incrível pressa para o ontem...

eu me sentia bem . durante o dia já havia recebido noticias e convites interessantes e me sentia agradavelmente bem. estava equilibrada.

a conversa durou poucas horas . duas talvez . bom conversar . comer pipoca . tomar chimarrão e ver as crianças brincando . os cachorros correndo . as pessoas caminhando, enquanto as sedentárias apenas observavam...

cheguei em casa e incrivelmente tinha sono . muito sono . cansaço . muito cansaço . estava me sentindo pesada . tinha as pálpebras inchadas . me perguntaram se eu havia chorado . não lembro de ter tido motivos para tanto...

me dei conta que havia perdido algo ou, ou melhor, havia deixado algo com alguém. algo de bom que estava em mim e que tranquilamente havia passado para outra pessoa...

um banho com arruda, alecrim, sal grosso foi o suficiente para me renovar, acordar e me sentir disposta.

me sentí bem novamente. desta vez por imaginar que eu possa ter feito algo de bom para outra pessoa. que ao contrário de absorver, entreguei, sem cobrar nada em troca, as minhas boas energias e vibrações.

enfim, pensei nisso hoje. que sempre temos algo bom para passar adiante, que nada pode ser tão dificil de reconquistar, quando sabemos o que temos de bom na nossa essencia...

lembrei do Drexler cantando e fiquei feliz . sorrí e imaginei que posso ter deixado alguém sentindo algo tão bom quanto eu sentia...

"Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma"

Yo no me fui, yo me aleje un poquito

senti uma imensa saudade hoje . . .

minha amiga Mar!!

lembrei das longas conversas . madrugada a dentro . às vezes em espanhol . outras tantas em português..

Mar era Maragnes . 32 anos . estava longe de casa . dos pais . do marido . dos amigos já fazia dois anos. tinha apenas uma tia, que ela visitava com frequencia, e dois gatos . miti e blue. eram os bebês da casa e eu, mesmo que detestando gatos, aprendi a gostar destes dois..

Nos conhecemos no monchos. eu já trabalhava há uma semana com a fotografia do restaurante, quando ela entrou. me apresentei e tentei puxar assunto com um espanhol meio falhado. foi então que ela segurou meu braço, abriu um sorriso amigo e me disse perfeitamente:

- não te preocupa, eu falo português.

Dalí adiante, nunca mais me preocupei...

Mar é cubana . fotógrafa . artista . falava espanhol, inglês e português perfeitamente. havia aprendido russo em cuba, fazia um curso de francês em barcelona. tinha paixão pelo grego. entendia as piadas dos turistas italianos tarados, se virava com os turcos pão duros, adorava bater papo com os paquistanis e sempre procurava saber o que significava alguma palavra no mandarim, com os garçons chinos. Seu único desafeto lingüístico era o catalão que ela detestava, mas compreendia e se virava com os separatistas ...

alguns meses de trabalho e ela nos convidou para morar na casa dela, no bairro Raval. depois de viver num bairro tipicamente catalão (L'Eixample), de viver na praia (Besos Mar), fomos morar na periferia. O Raval que em árabe quer dizer "fora dos muros" é exatamente isso: tudo que está "fora", está ali dentro. Muitas prostitutas, muçulmanos, bares, artistas e gente maluca no geral. Esse era o clima do bairro...

mesmo com a loucura do lugar. as noites de agito e nosso prédio antigo . escuro . sujo e úmido, ali de verdade eu me sentia tranquila, segura, em casa...

sabia que eu tinha uma amiga . uma mãezona . uma confidente . uma parceira para todas as horas..chegar tarde em casa e conversar durante horas com a mar era certeza de boas histórias..de tudo ela falava e como falava! dos barcos . de cuba . do mundo . da vida . dos gatos . de comida . de salsa . da chefe . das contas a pagar . era assunto que não acabava..

em alguns meses, dividimos o muito e o pouco..

a casa . as contas . a maquina de lavar . as panelas..dividimos um trabalho . uma chefe . a comida . o espaço na cozinha...meu computador era compartilhado com ela e usamos seu cartão de crédito para comprar passagens pra viajar...

trocamos confidencias...segredos . compartilhamos..angustias..e superamos dificuldades na casa..

hoje senti saudade dela, como venho sentindo a alguns dias. sinto falta do sorriso verdadeiro e dos conselhos sinceros. sinto falta da franqueza e do bom caráter. sinto falta da companhia no ônibus e das dicas de fotografia e sinto muita falta das conversas nas madrugadas...pra falar a verdade, sinto falta até dos gatos caminhando pela casa...

tínhamos uma sintonia muito forte, sincera e de confiança..dividimos muitas coisas juntas e talvez seja por isso que acredito que neste momento compartilhamos a mesma saudade uma da outra...

pra mar, Habana Livre...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

tudo vai ficar bem!

Aterciopelados, da Colômbia..e Pato Fu!!

me gustaaaa!

domingo, 11 de janeiro de 2009

A vida ainda é bela?

Juro que lendo o Saramgo lembrei daqueles milhares que conhecemos nos filmes...aqueles de pijamas listrados, com os ossos saltados e os cabelos raspados.. aqueles todos dos mesmos olhares: tristes e perdidos...aqueles que deitavam sobre os beliches velhos de madeira no mais frio e cruel inverno...

lembrei dos vagões cheio de gente . do cara de bigode . de uma estrela de cinco pontas. de um tal pianista. Lembrei do Denkmal e da terrível sensação de caminhar por entre as pedras frias de concreto no centro de Berlim. Lembrei das tantas histórias que lí: famílias e mais famílias dizimadas em nome de uma limpeza étnica . triste constatação: hoje, com munição, eles são protagonistas e revivem a mesma limpeza em outro local..

lembrei de tudo isso e a cabeça deu um nó.. Saramago escreveu o que sempre pensei.

ainda não compreendo como pode um povo se achar tão acima do bem e do mal . tão escolhido e tão privilegiado . tão acima da justiça e das injustiças . tão impunes e tão coitados..

lembrei de Berlim e de como a cidade não faz questão de esconder o horror. o horror que cometeu contra eles. não faz questão de esconder porque não quer nunca mais que o horror se repita. a dor e o arrependimento ainda estão marcados em alguns dos olhares mais enrugados, basta prestar um pouco de atenção...

mas confesso que tenho dúvidas se um dia irão lamentar e refletir sobre o verdadeiro terror que praticam agora. Se este dia chegar de fato, penso que o muro talvez seja muito pequeno para tantos lamentos..

é impossível ficar indiferente a tudo isso e acreditar que a vida para eles ainda é bela, como um dia Benigni pensou...

dificil, muito dificil compreender o ser humano...

"Intoxicados pela ideia messiânica de um Grande Israel que realize finalmente os sonhos expansionistas do sionismo mais radical; contaminados pela monstruosa e enraizada “certeza” de que neste catastrófico e absurdo mundo existe um povo eleito por Deus e que, portanto, estão automaticamente justificadas e autorizadas, em nome também dos horrores do passado e dos medos de hoje, todas as acções próprias resulatantes de um racismo obsessivo, psicológica e patologicamente exclusivista; educados e treinados na ideia de que quaisquer sofrimentos que tenham infligido, inflijam ou venham a infligir aos outros, e em particular aos palestinos, sempre ficarão abaixo dos que sofreram no Holocausto, os judeus arranham interminavelmente a sua própria ferida para que não deixe de sangrar, para torná-la incurável, e mostram-na ao mundo como se tratasse de uma bandeira.

Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, dos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles é já um exercício de facto: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado, gaseado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazis, esses que foram trucidados nos pogromes, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos actos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o facto de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros."


(Parte do texto retirado do Do Caderno do Saramago)



Denkmal no centro de Berlim: a triste lembrança faz com que o erros não se repitam

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

No hay una piedra en el mundo que valga lo que una vida.

Ele é judeu, mas também é mouro e cristão.
E traduz parte do que eu penso...



Por cada muro un lamento
En jerusalén la dorada
Y mil vidas malgastadas
Por cada mandamiento.
Yo soy polvo de tu viento
Y aunque sangro de tu herida,
Y cada piedra querida
Guarda mi amor más profundo,
No hay una piedra en el mundo
Que valga lo que una vida.

Yo soy un moro judío
Que vive con los cristianos,
No sé que dios es el mío
Ni cuales son mis hermanos.

No hay muerto que no me duela,
No hay un bando ganador,
No hay nada más que dolor
Y otra vida que se vuela.
La guerra es muy mala escuela
No importa el disfraz que viste,
Perdonen que no me aliste
Bajo ninguna bandera,
Vale más cualquier quimera
Que un trozo de tela triste.

Y a nadie le dí permiso
Para matar en mi nombre,
Un hombre no es más que un hombre

Y si hay dios, así lo quiso.
El mismo suelo que piso
Seguirá, yo me habré ido;
Rumbo también del olvido
No hay doctrina que no vaya,
Y no hay pueblo que no se haya
Creído el pueblo elegido.



Milonga del moro judio - Jorge Drexler

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

(im)previsão do tempo!

tudo de cabeça pra baixo!

previsão do tempo para Barcelona nos próximos dias:

NEVE!!!


assim, eu já começo a esperar uma chuva de sapos por aqui...ou em Gaza!

quem sabe lá, resolveria alguma coisa...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Dijo hola y adiós...

Outro dia falo sobre ano novo, ano velho, resoluções, e todo o blá blá blá da virada de ano...

Por enquanto apenas música pra começar 2009!


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