quinta-feira, 30 de abril de 2009

da série: novas palavras

no mercado, a moça do caixa pergunta:

- o Sr. por acaso, tem 5 ou 10 centavos?
- olha, periga...
- hum??? ela questiona
- periga eu ter...

Yo llevo tu sonrisa como bandera

quando algo meio "raro" acontece comigo e quando os dias amanhecem como hoje, com aquele ventinho frio, mas com o céu com pleno azul e um solzinho pra esquentar, eu sempre lembro de Barcelona.

Me lembro sempre de alguns detalhes que pra mim valeram todo o ano que passei lá.
me lembro do raval, da casa dos gatos, da mar e da correria pra almoçar, pegar a bicicleta e ir trabalhar.
lembro do Drexler nos fones no ouvido e do tranquilo caminho pela ciclovia até a travessera de grácia.

tudo, na verdade, vem na cabeça como um ciclo que se forma desta maneira:
 
um dia de sol, a casa dos gatos, a mar, as ruas umidas do raval, a bicicleta velha de guerra, e drexler nos fones!

bom, o post não precisa ter muito sentido pra quem lê. 
mas pra mim tem e muito!

quando as coisas não funcionam muito bem por aqui, são das coisas que me veem à memória, de onde surgem as boas lembranças, é que lembro da tão querida barcelona e de fred!

bom, isso é assunto pra outro post. ou não!

o fato é que lembrar de tudo isso, me deixa feliz e faz esquecer os aborrecimentos por uns instantes...

Sea - Jorge Drexler

da vida!

uma constatação: carneiros também morrem pela boca.

terça-feira, 28 de abril de 2009

twitter

então.

o que tem em comum entre eu
o mano menezes
tatata pimentel
vitor fasano
meu namorado
minha chefe
marcelo taz
yeda crusius
oprah winfrey
diogo Mainardi

e todas as 2736745656546487 pessoas ao redor do mundo inteiro???

simples, o twitter!

eu andei perguntando há poucos dias por aqui, se me renderia à 
febre ou não. 
Tamanha foi minha surpresa quando vi que já havia um perfil com meu nome, e pior, com minha foto!

Por 15 minutos achei que era um fake, mas me dei conta, graças a ajuda do beibesauro, que eu mesma havia criado em 2007 e não
lembrava da senha!

bom, aí vai então. sabe se lá pra que serve isso.




domingo, 26 de abril de 2009

CHE

vi Che ontem.
o filme é a primeira parte de um documentário sobre Che, divididos entre Che e Che - e a guerrilha. 
Esta primeira parte mostra o inicio da participação de Che na revolução, desde as conversas com Fidel e Raul, até a vitória em Cuba, passando pelo discurso na ONU e uma entrevista a uma jornalista americana.

o filme é bom. benicio é lindo. fidel é identico, mas pra mim, faltou algo: emoção.
espero que a segunda parte não seja tão fria como essa.



"um revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor. amor pela humanidade, amor pela justiça e pela verdade"



quinta-feira, 23 de abril de 2009

coragem

queria ser tão corajosa quanto minhas amigas acham que eu sou.
queria poder falar tudo o que elas, em forma de conselho, me dizem pra falar.

queria não pensar em tantas coisas e não conseguir falar nenhuma palavra sequer.

aiii deus.

porque é tão dificil dizer, de verdade, que se ama alguém?


socorro! preciso de terapia.


ou tudo ou nada!

Sabia que ele estaria na palestra. Se produziu tanto que se atrasou. Chegou tarde e teve que sentar no fundo do auditório.

Mas para sua surpresa, ali do alto da platéia, ela o viu. Estava sentado algumas cadeiras abaixo da sua.
Dali de cima, onde estava, ela conseguia perceber todos seus movimentos. Juraria que até o perfume dele, ela sentia.

Ele tinha a atenção fixa para a fala do palestrante.
Ela não ouvia uma palavra do cara no palco, tinha os olhos, ouvidos e o corpo voltados apenas para ele.
Ele e sua gola azul da camisa, Ele e sua nuca tentadora, Ele e seu cabelo bagunçado.
Ele e só ele, em meio a dezenas de pessoas, era o que ela enchergava.

Essa era a visão que ela tinha e já era o suficiente para alegrar-se de perder o belo domingo de sol dentro de um auditório fechado e escuro, debatendo a crise mundial.

Quando abriram o microfone para perguntas, a moça que estava ao seu lado resolveu questionar.
Ela tremeu, ficou vermelha e respirou fundo. Sabia que ele a enchergaria quando olhasse para trás.

E enchergou!

Discretamente, ela abanou e sorriu.
A pergunta da garota ao lado foi se estendendo de tal forma que ela achou que era o momento. 
Sabia que se continuasse assim, há mais de dois meses afim dele e sem demonstrar nada, ele nunca saberia do seu interesse.
Era tudo ou nada. Ela tinha que saber se era recíproco. Se as suas vontades correspondiam com as dele.

Então, num instante de motivação e coragem, olhou fixamente, mordeu os lábios, fechou um pouco os olhos e sorriu com malícia, muito malícia, diretamente pra ele.
Queria abrir um buraco no chão, mas precisava saber qual era a intenção dele. Da sua reação, ela saberia seu interesse.
Milésimos de segundo demoraram uma eternidade até ele ter alguma reação.

A pergunta acabou, a moça abaixou o microfone, os participantes já voltavam a suas posições, o palestrante se preparava para responder.
Ela então olhou para baixo e para o buraco, que a essas alturas já tinha profundidade suficiente pra encontrar até petróleo, e resolveu olhar para frente outra vez.

Ele, permanecia voltado pra trás e, fazendo um movimento com a cabeça, sugeriu que saíssem dali.

Se encontraram no corredor que dava acesso ao banheiro.
Dali em diante, para os dois, os bancos poderiam quebrar, as bolsas desabar, as pessoas perderem o emprego...
A crise e o resto do mundo era o que menos importava naquele momento.

neruda

(...)Entonces gota a gota se hace el cielo y de espaciosa azúcar la bandera, todo sube a su mástil amarillo, y la fruta convierte su desdén en letárgico lago de dulzura. Es un árbol violeta de relojes el esencial verano y sus racimos, la arena en su pradera y su alimento, tiembla el fulgor recóndito del vino y los decapitados cereales se duermen en el pan de la cosecha. (...)

é a frase de saudação da fundação pablo neruda.

esquecendo


já tava esquecendo de falar do meu feriado.

assisti à palestra do J.R.Ripper, fotógrafo carioca que faz um trabalho social na Escola de Fotógrafos Populares, favela da Maré, no Rio.

Ele também tem um trabalho incrível de fotografia de denúncia, especialmente das populações mais pobres que vivem nas periferias e favelas das grandes cidades.

mais do cara aqui. 

terça-feira, 21 de abril de 2009

quem quer ser um indiano?

diz que a moda agora é adorar . amar . idolatrar a India.
tudo se explica e fica óbvio quando se trata do tema principal da novela das oito e do vencedor do oscar. 
é a tal história "todo o mundo sempre está onde todo mundo vai"

eu amo a India
vou morar na India
a India é linda
apaixonados pela india
quero ir pra India

foram apenas algumas das frases mais bizarras que andei vendo na internet por esses dias.

aí lembrei das indianas do prédio que eu morava no Raval, em barcelona.
lembrei que um dia precisavamos de uma chave para abrir o quartinho que havia no sótão do prédio pra instalar a internet. a mar que era a dona da casa, resolveu bater no apartamento acima do nosso pra saber se eles tinham a chave.
juro que achava que eu e as duas cubanas eramos as unicas mulheres do prédio antigo, já que só viamos os paquistaneses e os indianos subindo e descendo as escadas.
que nada! 
pra nossa surpresa, quem abre a porta?
a indiana mãe e as duas filhas. 

não esqueço da cena: o sorriso envergonhado e os olhares curiosos das três em direção aos homens brancos e ocidentais que estavam por ali. impagável!
talvez poucas vezes tivessem visto um homem, que não o pai, o marido ou o irmão tão de perto.
sabe se lá quantas longas horas do dia elas passavam em casa sozinhas cozinhando . costurando . limpando e esperando os homens voltarem pra casa.

não havia nada de glamour ali. nenhuma delas sequer parecia com qualquer atriz da novela. 
nenhuma delas. 
a casa exalava um cheiro ruim.
uma mistura de temperos culinários com roupa suja e mofo .
as roupas não levavam nenhum brilho.
os cabelos eram cobertos por tunicas.
e nos rostos, a pele manchada e marcada . denunciavam seguramente a amarga vida de cada uma delas. 

lembrei da cena do prédio e lembrei das unicas coisas que percebi no unico capitulo que me prestei assistir dessa novela.
luzes. brilho. glamour. gente bonita. feliz e rica.
e o marcio garcia.
realmente o estereótipo criado pela novela, causa uma lavagem na cabeça das pessoas, criando uma onda irritante de modismos e declarações de amor incriveis ao completo desconhecido.

ok. ok. filme e novela funcionam como entretenimento e devem ser tratados como tal. não que eu ache que todos os indianos são tristes . amargurados e tão pobres quanto os que conhecí. mas por favor. a ficção não deve ser tão distante assim da vida real. 
 
dizem que os indianos não gostaram do filme do boyle. acharam uma visão superficial e artificial da india. 
pelo sim ou pelo não . conquistou o oscar e hollywood. bollywood não. 

já a novela...
para quem assiste.
resta aguardar a próxima onda.
depois de ciganos, mexicanos, árabes e indianos (des)caracterizados, só esperar a próxima "descoberta" da chata da gloria perez.



ó céus ó vida!

me rendo ao twitter ou não?

eis a questão....

segunda-feira, 20 de abril de 2009

HH

Aflição de ser eu e não ser outra.

Aflição de não ser, amor, aquela

Que muitas filhas te deu, casou donzela

E à noite se prepara e se adivinha

 

Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha

Que te retém e não te desespera.

(A noite como fera se avizinha.)

 

Aflição de ser água em meio à terra

E ter a face conturbada e móvel.

E a um só tempo múltipla e imóvel

 

Não saber se se ausenta ou se te espera.

Aflição de te amar, se te comove.

E sendo água, amor, querer ser terra.

( Roteiro do Silêncio(1959) - Sonetos que não são - I)


Hilda Hilst


domingo, 19 de abril de 2009

moleskines

assim. 
um dia ela me convidou para acompanhá-la até a livraria. 

sem muito o que fazer no horário de almoço, achei agradável a proposta.
perto do trabalho mesmo, não ia demorar muito.
seria interessante folhear alguns livros e ver os lançamentos dos dvds.

meia hora depois como duas crianças descobríamos os bonecos do homer simpson nas prateleiras e vasculhávamos os livros de desenhos.
só não havia liniers por ali.

mas o que a agradou mesmo foram os moleskines 
e esse era o real motivo da ida até à livraria.
as formas . o tamanho . o tema de cada caderninho eram rigorosamente inspecionado por ela.
estava eufórica ao pensar na possiblidade de adquirir o famoso moleskine . 
sabe se lá deus, há quanto tempo aguardava este momento...
ter um caderninho tão
 apreciado por picasso . van gogh . hemingway não é pra qualquer um .

devidamente escolhido seu caderninho . foi a vez de me presentear com um deles.
o tema não poderia ser outro: barcelona.
mapas . telefones uteis e guias de metro recheavam as paginas amarelinhas do (agora meu) moleskine.

saimos da livraria 
o horário pedia uma pausa para comer .
torta de maçã para ela . hamburguer para mim . 
coca cola para as duas .

devidamente presenteada . agradeci pelo moleskine.
ela entrou no onibus e eu disse tchau .

hoje . sem mais espaço nas paginas amarelas do caderno 
penso que devo voltar até lá . na livraria . e comprar outro caderninho. 
meses depois . já com o moleskini gasto . velho e surrado
ainda lembro-me dela.


 

a propósito:

depois de apenas duas palavras trocadas entre os dois:

o suspiro dela dura horas.
o coração palpita durante dias.
e, se duvidar,
o olhar brilha mesmo com olhos fechados...

mascaro

sábado à noite . casa . TVE e uma descoberta:

Cristiano Mascaro.

o fotógrafo solitário de São Paulo.
um dos maiores fotógrafos urbanos do país.

“Seu trabalho revela com rara sensibilidade os espaços públicos e suas dimensões poéticas, captadas por um olhar apurado e atento ao cotidiano de suas ruas e avenidas”
Solange Farkas, diretora do MAM.

incrível!

sábado, 18 de abril de 2009

a agenda nossa de cada dia.

sinceramente, me cansou ver na tv, ler na internet e nos jornais, ouvir nas rádios e nos comentários dos colegas as últimas noticias dos crimes envolvendo pais, padrastros, filhos, sobrinhos, afilhados, primos, avós, o cachorro e, se duvidar, até a mãe do Badanha...

crimes estes em que uns matam, outros morrem, outros matam e se matam, outros tantos que matam e tentam se matar...

depois de ver, durante esta semana inteira, a mãe que matou o filho com um tiro; a mulher que matou o marido, a irmã, a sobrinha e depois tentou se matar com uma faca, ter que abrir um site de noticias num sábado à noite e ver outros pais matando ou tentando matar seus filhos, me faz pensar na dimensão que estas noticias publicadas com tanto destaque podem alcançar.

não consigo simplesmente achar que são fatos isolados . que são problemas apenas familiares . da depressão profunda dos criminosos . 
penso eu que muitas ações são influenciadas e impulsionadas pela grande exposição destas noticias. crimes . crimes e mais crimes que são divulgados com grande cobertura a todo momento. 

me pergunto qual a necessidade real de divulgar esse tipo de fato com tanta exposição? qual a necessidade de ter estampadas, como o principal "atrativo" do site, fotos das duas crianças mortas pela mãe? poderão as fotos publicadas mudar a realidade do que ocorreu com o casal de irmãos? ou servem apenas do bom recurso para "ilustrar" a manchete?

acho completamente desnecessário o jornal mostrar este tipo de noticia, assim desta forma, que choca e revolta, na sua pagina principal, com tanto destaque. 
mas claro, garante um imenso número de cliques para lê-las por completo, conhecer os detalhes, saber os motivos, descobrir as circunstâncias. simplesmente por curiosidade.
e as consequências? estas pouco importam, ninguém quer saber, afinal.

algum tempo atrás eu ouvia nas aulas que suicidios - ou as tentativas dele - não deveriam ser divulgados, e caso o fizessem, deveria ser de forma cuidadosa, para não correr o risco de influenciar pessoas com alguma tendência ao ato.

me pergunto: porque não utilizar o mesmo critério para os fatos acima relatados? porque não existe o cuidado ao divulgar noticias deste tipo, envolvendo assassinato de crianças e casos posteriores de suicido? porque não deixar apenas para a pagina policial, sem grandes alardes?

sempre achei forçado culpar a midia por tudo. mas nestes fatos, me parece algo um tanto irresponsável. infelizmente, o "agendamento" da imprensa por estes dias são os casos deste tipo, de familia, assim como já foi, há algumas semanas, os casos de violência nas escolas. 
Mas será que está valendo a pena "pagar pra ver" onde podemos chegar com a nossa agenda tão impositiva? 
to fora. mesmo se tivesse, eu não pagaria. 
prefiro ficar em estado de alerta. sinto medo só em pensar que a irresponsabilidade de poucos, pode influenciar e prejudicar a vida de muitos.


ele


é o cara!

foto: Orlando Brito

sexta-feira, 17 de abril de 2009

palpites

deixou-se levar e viu a tarde ser iluminada pelo sol.
descobriu que eles ainda mantem o suspiro
é o que une e os separam ao mesmo tempo.

tudo parecia tão agradavel . inexplicavelmente agradavel
sentiu o perfume no ar .
a flor amarela e os olhos dos demais pareciam tão brilhantes.

não havia mais nada que pudesse atrapalhar.
silenciou e permitiu-se escutar os palpites.

eram bons palpites.
mesmo desorientados . conseguiam indicar uma direção:
deveria seguir em frente.
"ainda existe o suspiro", pensou.

sentiu-se feliz.

e no final?
usou o marcador e guardou o livro.
não era o momento de virar a página.



não estou lá...

todos eles já sabem: rimbaud . jack . jude . billy the kid . Wood Guthrie . arthur e o dylan!

I want you!



quinta-feira, 16 de abril de 2009

Contigo

los mejores! Sabina y Fito

"Yo no quiero saber por qué lo hiciste;
yo no quiero contigo ni sin ti;
lo que yo quiero, muchacha de ojos tristes,
es que mueras por mí.

Y morirme contigo si te matas
y matarme contigo si te mueres
porque el amor cuando no muere mata
porque amores que matan nunca mueren."

sabina


quarta-feira, 15 de abril de 2009

a frase de hoje é:


"enquanto passas os dias buscando-me pelas ruas, te encontro às noites perdido em meus sonhos"

terça-feira, 14 de abril de 2009

o ciro. a crise. e os tatus

uma das coisas mais engraçadas - e verdadeiras  - que ouvi sobre a crise até agora, foi do ciro gomes, hoje pela manhã na fetag.
diz ele que tudo o que está errado nesse caos financeiro foi produzido e manipulado pelos grandes bancos, grandes investidores, grandes empresários, etc... pelo único sentido de apenas benficiá-los, sem preocuparem-se com as consequências...

na metáfora do ciro, isso seria mais ou menos assim:
"se você ver um tato em cima de um toco, pode ter certeza que alguém o colocou ali. não é da lei natural do tatu ficar sobre um toco. lugar de tatu é na toca"


mundo bizarro

o mano brown diz que até num lixão nasce flor.
médicos descobrem planta nascendo num pulmão.

só espero que alguém me avise quando começar a brotar dinheiro em árvore.




segunda-feira, 13 de abril de 2009

hum?

a propósito:

inferno astral não dura até o aniversário?



quinta-feira, 9 de abril de 2009

"Um tango argentino me vai bem melhor que o blues"

Esperei 25 anos pra cantar bem alto esta música. Agora, nada descontente, mas desesperadamente, eu grito em português!

Tá aí...meu presente de aniversário!




"Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos lhe direi
Amigo, eu me desesperava

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 73
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português

Tenho 25 anos de sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força desse destino
O tango argentino me vai bem melhor que o blues

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 73
Eu quero que esse canto torto
Feito faca corte a carne de vocês"


Belchior

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O SUS (ou todos estão surdos)

há alguns dias, as atenções dos veículos da RBSTV se voltaram para os atendimentos do Sistema Unico de Saúde, especialmente na capital.

Em uma das reportagens, o Giovani Grizotti, já conhecido pelas matérias alarmantes que costuma fazer sobre todo tipo de assunto, registrou a superlotação da emergência do Hospital Conceição, na zona norte de Porto Alegre.
Buscando chocar a população e especialmente garantir elogios dos leitores e simpatizantes dos veículos, que o veem como porta voz da sociedade, ele registou, com uma câmara escondida, o drama dos pacientes que esperam por atendimendo na emergência do hospital.

Lendo a matéria, é bem verdade que a reação normal que se espera de um ser humano é de revolta pelo "descaso" com a saúde pública. O que se vê são pessoas aglomeradas em um espaço pequeno, esperando, muitas vezes horas, por um atendimento.

No entanto, fiz alguns questionamentos sobre o caso:

primeiro: as imagens da matéria foram obtidas durante quatro dias. Todas as gravações foram feitas no horário de visitas.  Logo, obviamente, o fluxo de pessoas circulando na emergência é muito maior, o que pode ocasionar certo desconforto e aglomeração.

segundo: o jornalista cita que  "a emergência foi inaugurada em 2006 pelo presidente Lula. A sala foi projetada para servir de modelo, mas o que se vê são pessoas amontoadas e desorganização". 
Fiquei na dúvida se, por acaso, o jornalista acredita que o atendimento, mesmo sendo no limite, é pior do que nenhum atendimento.

terceiro: o jornalista cita um caso de um pedreiro que, sem maca para dormir, apoiava a cabeça sobre a cabeceira de uma cama de metal e morreu vítima de infarto alguns dias depois de ter dado entrevista à equipe de TV. Neste caso, fez-se uma superexposição do problema. A matéria ainda dá um tom mais emotivo, dizendo que o pedreiro faleceu justamente no dia de seu aniversário.
Me pergunto quantas crianças morrem ao nascer, quantos médicos erram diagnósticos, quantas pessoas morrem de infartos nas suas casas, quantas morrem na mesa de cirurgia.
É claro que o atendimento pode ter sido precário, em condições inadequadas, mas não acredito que tenha sido insuficiente ou simplesmente por descaso.

quarto: apesar de colocar um contraponto da superintendente do GHC, a reportagem não leva em conta que o Hospital Conceição não rejeita nenhum paciente. pode ser dificil essa afirmação, mas receber atendimento em condições precárias, é melhor do que receber nenhum atendimento. Interessante seria ver a equipe de filmagem mostrando outros hospitais fechando as portas a gestantes, idosos e crianças, simplesmente porque não há vagas.

Resolvi escrever porque no último mês, infelizmente, tenho frequentado o ambiente do Hospital Conceição. Bem certo que não foi na emergência, mas utilizei e ainda vou utilizar muitas areas do hospital. E o que ví me fez ter certeza de que o Sistema Unico de Saúde deve ser valorizado e, especialmente, elogiado na grande parte dos seus atendimentos.
Neste mês de convívio com o Conceição, tive consultas com especialistas, realizei exames e marquei cirurgia. 
tudo sem filas, com horário marcado e, principalmente, com um atendimento muito humanizado de médicos e enfermeiros.

Vi com meus próprios olhos, sem câmera escondida ou matéria de jornal. Para mim é o suficiente para poder elogiar o que realmente funciona na saúde pública.

Acredito que a matéria é importante no sentido de alertar as autoridades para que se mobilizem e garantam um melhor atendimento na saúde, mas me parece muito vazia, quando mostra simplesmente o que há de errado como única verdade. Nada de novo, se tratando da RBS.

Talvez por isso eu não goste muito de criticar gritando muito alto. Das poucas vezes que fiz, sempre me pareceu simplesmente uma histeria. Prefiro analisar de fora e tirar minhas conclusões sozinha. Sempre fico com o receio de que meu grito seja tão estridente que consiga apenas - e nada mais -  ensurdecer quem escuta. 



sábado, 4 de abril de 2009

en el coche

abriu a porta.
girou a chave.
colocou o cinto.
desativou o alarme.
ligou o farol.

mesmo assim faltava algo na noite escura

havia apenas uma bolsa no banco ao lado...




LinkWithin

Related Posts with Thumbnails