terça-feira, 28 de julho de 2009

la infidelidad de la era informatica

guardava consigo todos os resquicios daquele amor mal acabado. protegia todas as palavras digitadas e revia as frases vez em quando para tentar satisfazer o desejo de tê-lo mais perto.
guardava as conversas secretas protegidas por uma senha tão dificil de memorizar que ela mesma sentia dificuldade para acessar a caixa de entrada.
guardava tudo secretamente, cada palavra, cada virgula, cada ponto...
jurava que conseguia sentir a respiração dele ao reler as conversas secretas entre eles.
mas descuidou-se.
deixou vestigios e rastros.
deixou alguém descobrir aquele segredo.
deixou que a acusassem. que investigassem e que tirassem conclusões.
logo ela, que ja havia se infiltrado tantas vezes no mundo alheio do correio eletronico.
fez-se vitima neste instante.
mas ainda assim sente-se culpada.
culpa-se por amar demais e por continuar acreditando nas palavras digitadas rapidamente.

"Y no hay contraseña,
Prudencia, ni pin,
Que aguante el embate
De un cracker celoso.
"


sexta-feira, 24 de julho de 2009

somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter...

"Quem ocupa o trono
Tem culpa
Quem oculta o crime
Também
Quem duvida da vida
Tem culpa
Quem evita a dúvida
Também tem..."

humberto gessinger

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tedson

vez em quando costumo perder um tempinho dando uma olhada no analycts do meu blog.
as vezes fico surpresa com o que vejo, os blogs que direcionam, a média de tempo, as paginas mais visitadas, essas coisas...
mas nenhum deles, nem mesmo meus 07 amigos assíduos e invisíveis que o visitam desde Los Angeles, nem os 36 que vasculham em novo hamburgo, nem os 10 amigos de pelotas que resolveram ler o blog todos juntos num mesmo domingo, me deixaram mais curiosa do que meu amigo solitário de são vicente.

percorri sua trajetória pelo blog: passou a me acompanhar no dia 23 de junho. uma semana depois, dia 30 lá estava ele novamente.
do dia 02 de julho ao dia 07 surgiu outra vez e de lá pra cá passou a me acompanhar todo santo dia.

poderia até ser uma amiga. mas pra mim, meu visitante invisivel é um amigo mesmo!
já o visualizei: deve ter seus 27 anos, usa óculos de armação fina. compra calças jeans a cada três meses e gostava tanto do uniforme do colégio que até hoje usa moletons com capuz. não gosta de malhar os musculos. tem o cabelo castanho e com um corte pouco definido. queria fazer direito mas tomou o rumo da geografia. prefere skol à antartica e não gosta muito de festas agitadas, mas se diverte em mesas de sinuca sem giz nos bares de são vicente aos finais de semana. as vezes pega o violão e mantém seu ritual de ensaiar wish you were here sozinho no apartamento que divide com um amigo. desde a oitava série sonha em cantá-la para alguém. tem dois sobrinhos frutos do casamento da irmã mais velha com um engenheiro civil. as vezes se distrai vistando os pais na casa em que cresceu e mata a saudade comendo massa à bolonhesa preparada pela mãe e brincando com seu cachorro de estimação: um vira lata preto com marrom e de rabo curto, que gosta que lhe afaguem a barriga com o pé e cujo nome a familia inteira acha meio estranho, mas não contestou quando meu amigo o encontrou numa tarde de inverno voltando do colégio e decidiu chamá-lo de Tedson.

domingo, 19 de julho de 2009

rougebleu



Mais um no dia de hoje!


mais tarde...

tudo a levava a crer que aquilo que mais acreditava não haveria de ter um fim.
conseguia se libertar
na entrega, ela é sua mais pura verdade, doce verdade
elegeram um lugar. de lá, viam o mundo do alto
contemplavam-se no sono . e encontravam nos sonhos quando estavam distantes
criaram um mundo em que o mal não existia e a tristeza não se aproximava

não se cansavam ao repetir o quanto tudo era incrivel.
a entrega os deixava cada dia mais próximos
andava ruas e ruas
encontrar o olhar perdido e contente a recompensava.

na volta, tinha a imensidão do caminho
e toda a lembrança a lhe acompanhar
cruzava avenidas
e distraía-se com os pensamentos
que lhe arrancavam risadas descompassadas
e planos de fuga inconfessáveis.

tem a certeza de que nada acaba quando fecham a porta
mais uma vez.

continua entregando à sorte
sabendo da eternidade do vai e vem
não quer ver a vida a pé.
já que o cansaço ainda não se aproximou...

Marcelo Camelo - Mais Tarde

sábado, 18 de julho de 2009

Num instante

Da angústia
à leveza
e o sentir-se bem.

na minha cabeça. o jogo é

cola. papel e tesoura.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

a propósito...

o pulso do papa ainda pulsa?

terça-feira, 14 de julho de 2009

A índole da multidão


Em uma simples conversa hoje à noite, me lembrei de um escrito de Bukowski.


"Há suficiente traição, ódio, violência,
Absurdo no ser humano comum
Para abastecer qualquer exército a qualquer momento.

E Os Melhores Assassinos

São Aqueles
Que Pregam Contra o Assassinato.

E Os Melhores

No Ódio São Aqueles
Que Pregam
AMOR
E OS MELHORES NA GUERRA-ENFIM- SÃO AQUELES QUE PREGAM
PAZ

Aqueles Que Pregam DEUS

PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam Paz
Não Têm Paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR

CUIDADO COM OS PREGADORES

Cuidado Com Os Conhecedores.
Cuidado
Com Aqueles
Que Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS

Cuidado Com Aqueles Que Ou Destestam

A Pobreza Ou Orgulham-se Dela
CUIDADO
Com Aqueles Rápidos Em Elogiar
Pois Eles Precisam de LOUVOR
Em Retorno

CUIDADO

Com Aqueles Que Rápidos
Em Censurar:
Eles Temem O Que Desconhecem
Cuidado Com Aqueles Que Procuram
Constantemente
Multidões;
Eles Não São Nada
Sozinhos

Cuidado

O Homem Vulgar
A Mulher Vulgar
CUIDADO
Com O Amor Deles
Seu Amor
É Vulgar,
Busca Vulgaridade
Mas
Há Força
Em Seu Ódio
Há Força Suficiente
Em Seu Ódio Para Matá-lo,
Para Matar Qualquer Um.

Não Esperando Solidão

Não Entendendo Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Difira
Deles Mesmos

Não Sendo Capazes De Criar Arte

Eles Não
Entenderão A Arte
Considerarão Seu Fracasso
Como Criadores
Apenas Como Falha
Do Mundo
Não Sendo Capazes De Amar Plenamente
Eles ACREDITARÃO Que Seu Amor É
Incompleto
ENTÃO TE ODIARÃO
E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
Sua Mais Refinada
ARTE"

(charles bukowski)

hoje, eu...

acontece que por vezes a ansiedade se aproxima. junto com o cansaço. e me faz tremer as pernas e me causa irritação e surge o descontentamento. e faz eu roer as unhas. e sofrer antecipadamente.
acontece que as vezes eu abro os olhos e não sinto vontade de levantar e não consigo pensar. e não consigo me enxergar no espelho.
acontece que por vezes não tenho sono e vago pelas noites com os pensamentos mais estranhos.
é quase sempre como sonhar acordada.

então o frio me deixa com os dedos congelados e a televisão fica no mudo . e deixo repetir a mesma música quinze ou dezoito vezes.
então, por vezes, eu sinto que tenho que parar e me concentrar e deixar os olhos bem abertos e levantar bem rápido e dizer que não estou cansada e achar que tudo vai ficar bem...
então perco a memória e adio os compromissos e esqueço do que fiz ontem à noite.
então é como ganhar um presente que não te agrada e fazer uma cara feliz para contentar.

é quase sempre assim que funciona.
nunca é fácil definir quem eu sou . muito menos explicar o que eu sinto ...

estar em casa...

"Eis-me portanto académico no país que mais amo depois do meu, o Brasil. É como estar em casa, com a diferença, nada despicienda, do afecto de que nos rodeiam, sentimento que a pátria às vezes se esquece de manifestar, como se ter-nos feito nascer em Lisboa ou na Azinhaga já fosse honra suficiente. Em Outubro lá irei, a apresentar um novo livro e a sentar-me à sombra da estátua de Machado de Assis. E ainda dizem que a vida não tem coisas boas…"

Jose Saramago, no seu blog

segunda-feira, 13 de julho de 2009

da janela

então naquela tarde de domingo ela entrou no ônibus.
e chovia
pagou o bilhete . olhou para as duas . três pessoas sentadas.
resolveu sentar-se no fundo . no canto . na janela . lateral .
e chovia

pegou a máquina . não usou flash.
admirou os pingos que desciam com toda velocidade pelo vidro .
era a corrida das gotas em direção à borracha escura do meio de transporte.
registrou os pingos.
todos aqueles que a velocidade baixa da máquina conseguia acompanhar.

e apoiou confortavelmente os pés no banco ao lado.
e chovia.
e sorria.
e sentia-se incrivelmente feliz.
e colocou os fones no ouvido.

e lô borges passou a acompanhá-la
na mais perfeita sintonia.




Budapeste

escolhi Budapeste para somar-se à lista das leituras nestas curtas férias
o livro é minha estreia no mundo da literatura de Chico.
a escolha me pareceu óbvia: o unico exemplar disponível nas grandes estantes cinzas e com cheiro de ácaro do vale dos sinos.

chico foi minha companhia antes de dormir na noite fria de domingo.
mas com o sono se aproximando, li apenas o primeiro capitulo e deixei um gostinho para o restante da semana.
as primeiras linhas já me chamaram a atenção: "devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira".
em tempos de matricula no francês, isso já me parece um alerta.

chico brinca não apenas com as letras, mas com as cores.
e associa coisas com suas respectivas cores.
passando pelo danubio, observando os telhados, o asfalto, os parques, tudo em budapeste tinha uma cor. para chico não é cinza, como havia imaginado, e o danubio sequer tinha tons de azul.

para chico, budapeste é amarela e ponto.

e assim continuo os capitulos seguintes.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

tom. chico. vinicius...

uma indecisão. uma indefinição e um cansaço não foram maiores do que a vontade em celebrar a música boa em uma noite de terça-feira em Porto Alegre.

Tom, Chico e Vinicius cantados por um opinião quase cheio.
no final. sempre a mesma sensação: do muito, foi pouco...



luz e sombra

algumas sombras me perturbavam...
mesmo me sentindo incomodada, sempre tive a certeza que minha luz própria era muito mais intensa e que afinal deixava todas as sombram no lugar onde elas deveriam estar mesmo: no escuro. à margem. à parte. no canto. no chão.

hoje indiscutivelmente me tornei a própria sombra para um outro alguém. incrivel é que não pareço em nada com aquilo que me perturbava. a luz continua intensa. talvez até demais que querem saber como consegui-la.

virei o referencial. passei a ser a sombra a ser seguida, repetida, igualada e imitada...

falta de personalidade dá nisso. pois então: crie sua própria luz. não tente ofuscar a minha.


sábado, 4 de julho de 2009

questionamentos...

então ela foi questionada sobre o alvo dos escritos.
tinham a convicção de que o filme havia sido rebobinado e que agora esta era a tentativa de contar outra versão pro final da história.
o passado estava infiltrado nas palavras postadas no recinto, foi o que lhe disseram.

numa busca imediata em afirmar que tudo era tão absurdo quanto distante, ela respondeu rapidamente. denominou um alvo ou mais, conforme sentiu aumentar a necessidade de comprovar seu distanciamento.

igual rapidez também foi a procura em suas remotas lembranças pelas histórias ali registradas. tinha a necessidade de contá-las da maneira mais bonita. mais apaixonante. mais arriscada. de forma a comprovar o quanto verdadeiramente haviam sido mais interessantes do que realmente foram. tinha a preocupação em livrar-se urgentemente dos questionamentos tão dificeis de serem respondidos.

sentiu uma imensa necessidade de afirmar e provar ao alheio toda sua repulsa, já que parece que a si mesmo cada vez parece mais dificil...

aparentemente conseguiu convencer. mas só ela sabe que mesmo que os alvos sejam distintos. mesmo que as palavras se cruzem. se misturem. e ela encontre histórias interessantes para serem contadas ainda existe em cada ponto. em cada virgula. em cada ponto e vírgula e em cada espaço em branco algo direcionado exatamente para onde ela mais teme.
de forma inconsciente ela deixa surgir as palavras na cabeça. mas na forma totalmente consciente, ela as tranforma. modifica para que tornem-se complexas para reconhecer, compreender e interpretar.

nem sempre é facil. a tentativa de fugir a empurra para cada vez mais perto do que mais ignora. tenta incluir mais personagens. inventar argumentos. recriar situações, mas o final nunca lhe parece tão interessante como um dia imaginou que seria e continua revivendo o passado que insiste cada vez mais em se fazer presente.


Eva Uviedo


quarta-feira, 1 de julho de 2009

substantivos

Em um momento de grande devaneio na noite anterior, lutando bravamente contra a insônia e com a cabeça cercada de pensamentos complexos que iam desde às tarefas do trabalho, ao golpe em Honduras, à crise internacional, ao Governo Yeda, o blog da Petrobras...Tentei exercitar a memória buscando alguns aprendizados da lingua portuguesa.
Relembrei a conjugação de alguns verbos, elaborei algumas frases de efeito e desconstruí outras tantas, tentando encontrar melhor siginficado para cada palavra pensada...

Preposições, artigos, verbos, pronomes, mesóclises...nada disso deu tanto trabalho e forçou tanto a memória quanto a inútil tentativa de relembrar a classificação dos substantivos.
E em meio ao sono que se aproximava, a cara da Yeda me assutando e uma ideia sobre o blog da petrobras, a única classificação que vinha à mente era que os substativos são divididos entre públicos e privados.(!!!)

com o sono chegando, a mistura de pensamentos já se juntando com o sonho e minha derrota decretada contra a memória, deixei pra manhã desta quarta-feira, a solução para minha dúvida na complexa noite de ontem.






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