segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Má e Rô

Será por que meudeus que a inspiração ás vezes se esconde num cantinho tão escuro que você, por ainda sustentar o medo da falta de luz desde aquele susto aos 6 anos de idade, prefere não fazer esfoço para buscá-la, fugindo de qualquer lembrança traumática que lhe remeta à infância.
Aí que, evitando o medo e lembranças remotas, você fica alguns dias visualizando uma tela branca e enchendo de crtl c ctrl v afim de evitar que as listas de amigos não façam o favor de te empurrar para o limbo daquelas tentativas inúteis de escrever qualquer coisa que valha para não ser esquecido.
E aí que você sai à rua e vai a um bar e fica tentando arranjar no fundo daquele copo de cerveja, e bem no fundo daquele copo de cerveja, com todo aquele resto de espuma quente alguma ideia que te faça abrir um caderno e escrever sobre.

É nesse instante que vem o garçom com uma camiseta amarela, que te faz lembrar um marca texto, e com uma caneta bic sem tampa acomodada na orelha e resolver fazer o favor de encher demais o seu copo e você perde a concentração em qualquer bobagem que estava pensando enquanto visualiza a espuma cair rapidamente sobre a mesa de madeira e molhar aquele coração deformado escrito "Má e Rô" e você resolve pensar quem seria "Má e Rô" e se possivelvemente "Má e Rô" ainda estariam juntos já que aquele coração já parece estar bem desgastado com o tempo e com a quantidade de restos de espuma de cerveja que já caíram sobre aqueles riscos deformados e provavelmente escritos com uma chave de um carro, pertencente ou a Má ou ao Rô ou vice-versa.

Então você pensa em pegar a chave do seu carro e reforçar aqueles riscos daquele pobre coração de madeira tão desgastado pelos restos de espuma de cerveja e então é que você se dá conta que mal consegue cuidar do seu próprio coração, que não é de madeira, mas parece pedra, quanto mais tentar uma busca solitária e perseverante para preservar corações deformados e corroídos por restos de cerveja em mesas de bar.

Então você prefere colocar o guardanapo sobre "Má e Rô" e desiste da ideia de preservar relacionamentos registrados numa mesa de madeira. É aí então que então você resolve ir até o banheiro daquele bar e se depara com a luz queimada e não lhe resta outra alternativa a não ser enfrentar o escuro. Aquele tal escuro que a aterroriza desde os seis anos de idade quando estava sozinha no seu quarto quando faltou luz e você só conseguiu visualizar os dois olhos azuis de uma boneca acomodada sobre uma prateleira olhando fixamente para você em meio à escuridão.

Então é que você tentando fugir das lembranças mais aterrorizantes de quando tinha 6 anos de idade, promete a si mesmo que não irá fazer pouco caso de relacionamentos registrados em mesas de bar e desgastados por restos de espuma de cerveja.
Aí que você volta à mesa e retira o guardanapo sobre "Má e Rô" e busca a chave do carro dentro da bolsa e, com a maior força que pode empregar nos dedos indicador e polegar da mão direita, você reafirma o compromisso desgastado pelo tempo entre "Má e Rô" naquela mesa de madeira do bar.

E partir daí o que você mais deseja é que Má e Rô sejam felizes para sempre, até que os restos de espuma de cerveja os separem.

E depois de tomar o sexto gole de cerveja e já conseguir enxergar outra vez o fundo do copo, é hora de abrir a bolsa e encontrar o caderninho, antes que o garçom apareça novamente . . .

sábado, 14 de novembro de 2009

Breve Oração de Virada de Ano

"Deus, por favor não mais permita que os cachorros me dirijam olhares tristes por trás das grades do jardim das casas.
Deus, poupe-me também dos olhares tristonhos das empregadas que contemplam a cidade apoiadas nas sacadas dos prédios.
Tira, por favor, de todos os asilos, os adesivos do Ecco Salva afixados nas paredes.
Que as vastas platéias de cinema sejam ocupadas sempre por uma única pessoa, e que na saída do filme chova invariavelmente.
Bota fim, deus, a esse constrangimento injustificado que faz com que as pessoas desistam de foder e dar abraços, mesmo quando elas sabem que isto seria necessário.
Convence a todos da impossibilidade do amor, e observa enquanto descobrem o amor como a única possibilidade.
Quanto aos pecados capitais, peço que tornes a Gula compatível com a Vaidade, a Preguiça compatível com a Avareza, a Ira compatível com a Inveja, e que a Luxúria soterre as anteriores.
Acabe com a Aids, deus.
Que todos tenham plena consciência de que vão morrer definitivamente, e que na hora da morte não possam evitar um breve sorriso de desobediência infantil. E conserva os dentes dentro de nossas bocas, para que apodreçam conosco.
Que persista no tempo apenas aquilo que fomos capazes de criar.
Peço que amanhã de manhã, deus, eu seja acordado com o peso familiar de um certo corpo em cima do meu.
Que o sol invada minha barraca brando, resignado.
Então será o ano 2010, mas não fará diferença".

Daniel Galera@ranchocarne


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Buena estrella para todos, para vos

Continua me alegrando....

"Ya ha corrido mucha agua debajo de este puente
Me ha sobrado y me ha faltado inspiración
Puede ser que suene muy desafinado
Es que me desafina el corazón

Vamos hoy a levantar la copa del amigo
Necesito estar lo mas cerca que pueda de ti
Y fundirme con tu espíritu divino
Y sentir que, si, se puede ser feliz"

Buena Estrella - Fito Paez

domingo, 8 de novembro de 2009

Rodolfo Páez Ávalos

ele - e apenas ele - sozinho - ou as vezes acompanhado por Sabina - tem conseguido me deixar muito feliz nos últimos dias.


gracias, Fito

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Teoria da Diversão

Pense rápido: na volta de um dia cansativo de trabalho, você trocaria o conforto de uma escada rolante por uma escada convencional no metrô?

provavelmente não, né?

Pois a Wolksvagen lançou uma campanha chamando a atenção dos usuários para a escada convencional. O resultado é divertido, como diz a campanha, e i n c r í v e l: 66% no aumento do número de usuários na escada-piano.

olha e escuta


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